Final da Copa: Espanha e Argentina usarão uniformes principais
Final da Copa: Espanha e Argentina de uniformes principais

A grande final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina, neste domingo no estádio de Nova York/Nova Jersey, terá as duas seleções vestindo seus uniformes principais. A definição, que pode parecer óbvia, é o resultado de um processo iniciado há 18 meses pela Fifa.

Regras de contraste e planejamento antecipado

A Fifa determina que os uniformes das duas equipes em campo devem ser totalmente contrastantes, do meião à camisa. Desde meados de 2024, a diretoria de competições da entidade mantém reuniões com fornecedores de material esportivo e seleções para monitorar a produção das peças. O objetivo é evitar confusão entre jogadores e árbitros, facilitar o trabalho de comentaristas e atender pessoas daltônicas. Até o impedimento semiautomático é impactado pela escolha das cores.

— Nossa preparação começou há cerca de um ano e meio analisando as prévias dos designs dos kits, fazendo alinhamento com o regulamento e esclarecimento com fornecedoras — afirma Nick Thurston, gerente sênior de competições da Fifa, que conta com o apoio da diretoria de arbitragem.

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Registro formal e kits das seleções

Em novembro de 2025, as associações classificadas para a Copa e as que ainda disputavam vagas enviaram à Fifa um registro formal das cores dos uniformes, com um kit principal, um alternativo e, opcionalmente, um terceiro kit, além de três opções de camisas para goleiros. A regra exige contraste, com uma opção “clara” e outra “escura”.

O Brasil, por exemplo, registrou o kit principal (camisa amarela, shorts azuis e meias brancas) e o alternativo (camisa e shorts azul escuro, meias pretas). Na estreia contra Marrocos, usou o principal; no segundo jogo contra o Haiti, o reserva. Contra a Escócia, a Fifa obrigou o Brasil a usar camisa amarela e shorts brancos para diferenciar dos shorts azuis da equipe europeia. A camisa de goleiro gerou polêmica: o Brasil enviou opções vermelha, verde e lilás, mas a vermelha foi vetada pela CBF por nunca ter sido produzida — foi usada apenas para cumprir o regulamento. Alisson chegou a usar a vermelha contra a Escócia, mas depois trocou pela verde.

Casos de Portugal e Croácia

Portugal e Croácia foram obrigados a usar uniformes reservas quando se enfrentaram na segunda fase. Tradicionalmente, a camisa quadriculada croata era considerada “clara”, permitindo seu uso na final de 2018 contra a França (de azul escuro). Em 2026, a percepção mudou: — Desta vez, os quadrados da camisa são menores e, portanto, a peça é considerada predominantemente vermelha — explica Thurston. Além disso, a Fifa evita combinações vermelho (camisa principal de Portugal) e azul (reserva croata) por dificultar a visão de pessoas com deficiências cromáticas. A solução foi ambos usarem uniformes alternativos: Portugal de branco, Croácia de azul escuro.

Pedidos especiais e superstições

A Fifa também considera pedidos das seleções baseados em história e superstições. O México, por exemplo, solicitou usar cada um de seus três uniformes na fase de grupos. O Canadá optou por preto nos mata-matas contra África do Sul e Marrocos. Em 2022, a França quis repetir o uniforme usado na final de 2018 contra a Croácia (camisa azul, shorts brancos, meias vermelhas), mas perdeu para a Argentina.

Há ainda a logística: cada seleção traz um número específico de peças, algumas calculando até quatro camisas por atleta por partida, outras duas. A Fifa proíbe que uma camisa seja usada em partidas diferentes devido a personalizações como patches e identificação de cada confronto.

— É sobre encontrar um equilíbrio entre o que é necessário para curtir ver o espetáculo de uma partida de futebol, as cores de cada equipe e outras considerações — conclui Thurston.

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