O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) restringiu o tráfego na ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, após um laudo técnico apontar danos irreversíveis na estrutura. Inaugurada em dezembro de 2007, a ponte foi projetada para impulsionar a economia regional, mas, após 18 anos de uso, apresentou patologias químicas graves no concreto das fundações, como reação álcali-agregado e formação de etringita tardia. Segundo o DNIT, essas reações causaram um desgaste definitivo que inviabiliza qualquer reforma, sendo necessária a reconstrução total da obra, conforme as regras do Programa de Reabilitação de Obras de Arte Especiais (Proarte).
Investimento e importância econômica
Batizada oficialmente de Ponte Prefeito Leôncio Miranda, a estrutura teve um custo total de R$ 92,7 milhões, financiado em parceria entre os governos estadual e federal. De acordo com registros do Governo do Tocantins, em 2005, o estado investiu R$ 30 milhões no início da obra; outros R$ 30 milhões foram aplicados em 2006, enquanto a União garantiu o restante dos recursos. A ponte, com 1.060 metros de extensão e 24 pilares, foi considerada a mais extensa do Tocantins na época de sua inauguração. A obra foi iniciada pelo então governador Marcelo Miranda (MDB) com o objetivo de substituir o transporte por balsas e reduzir os custos de frete para a produção de soja da região, que representava 20% de toda a produção do estado. Além de escoar grãos para mercados como China e Europa, a ponte liga o Tocantins aos estados do Pará e Maranhão.
Cronologia da interdição
A crise estrutural da ponte se agravou rapidamente entre maio e julho de 2026. Em 21 de maio, o DNIT interditou totalmente a ponte após vistorias identificarem problemas nos pilares. Inicialmente, a restrição era apenas para veículos pesados acima de 4 toneladas, mas evoluiu para o fechamento completo por segurança. Em 25 de maio, o Governo do Tocantins autorizou uma operação emergencial com balsas entre Pedro Afonso e Tupirama para minimizar os impactos logísticos. No dia seguinte, a Prefeitura de Pedro Afonso decretou situação de emergência por 180 dias devido aos prejuízos no abastecimento e no escoamento da produção agroindustrial do Matopiba. Em 8 de julho, testes de carga extrema foram realizados: caminhões somando 360 toneladas foram posicionados sobre a ponte, e sensores indicaram que a estrutura sofreu estragos permanentes, não retornando à posição original após a retirada do peso. O laudo final, divulgado em 17 de julho, contou com apoio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e confirmou que os danos são irreversíveis, recomendando a reconstrução total.
Medidas atuais e rotas alternativas
A via segue totalmente interditada. O DNIT informou que deve avaliar em 15 dias se será possível liberar a passagem apenas para carros e motos, mas a medida depende de reforços de segurança que ainda serão executados. A fiscalização no trecho é feita pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Enquanto a solução definitiva não é executada, os motoristas podem utilizar rotas alternativas: seguir pela BR-153 até Guaraí; acessar a TO-239 em direção a Tupiratins e realizar a travessia por balsa para Itaperatins; prosseguir pela TO-239 passando por Itacajá até a BR-010; e seguir pela BR-010 até Santa Maria e acessar a TO-010 sentido Pedro Afonso.



