Encerrada a Copa do Mundo, o Campeonato Brasileiro de futebol retomou suas atividades com uma novidade que tem gerado forte controvérsia. O uniforme do Corinthians, clube dono da segunda maior torcida do país, passou a exibir a marca de um site de conteúdo adulto. Em termos diretos, trata-se de propaganda erótica, veiculada em um ambiente frequentado por mulheres e crianças, o que levanta questionamentos sobre a ética do acordo.
O retorno da Copa e a polêmica do uniforme
A decisão do Corinthians de aceitar o patrocínio de um site de conteúdo adulto surpreendeu torcedores e especialistas. A empresa pagará R$ 22 milhões até o final de 2027 para estampar sua marca no uniforme alvinegro. O contrato pode chegar a R$ 31 milhões caso seja estendido até 2028. O clube paulista argumenta que a propaganda se limita à exibição da marca, sem imagens ou conteúdos explícitos, mas críticos apontam que a simples presença da logomarca já direciona o público, inclusive menores de idade, para sites eróticos.
Precedente em Alagoas e a defesa da empresa
Não é a primeira vez que um clube brasileiro se envolve nesse tipo de polêmica. Em julho, a Justiça de Alagoas determinou que o CSA retirasse de suas camisas e materiais promocionais a marca de um site de acompanhantes, pertencente ao mesmo grupo que agora patrocina o Corinthians. Na ocasião, a Justiça alagoana considerou que a propaganda expunha crianças e adolescentes a um “estímulo inadequado ao seu regular desenvolvimento”, em clara afronta ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A empresa, no entanto, segue inabalável, utilizando o argumento de que cumpre a legislação ao não exibir conteúdo impróprio, apenas a marca.
Especialistas jurídicos, porém, destacam que a associação entre a marca e o conteúdo adulto é imediata. “Não é preciso divulgar imagens eróticas para gerar tráfego para o site. Qualquer pessoa que veja a logomarca pode pesquisá-la e acessá-la”, explica um advogado especializado em direito digital. A situação é comparada à proibição de propaganda de bebidas alcoólicas em uniformes esportivos, que já é regulamentada por lei.
Impacto social e contradição do clube
A associação do Corinthians com esse tipo de empreendimento entra em contradição com sua defesa de causas sociais, especialmente em relação às mulheres. O clube, que tem no time feminino o slogan “respeite as minas”, agora é acusado de desrespeitar mulheres e crianças. O Corinthians informou que a propaganda do site adulto não aparecerá no uniforme do time feminino, o que muitos consideram uma ironia. “Era só o que faltava”, comentou um torcedor nas redes sociais.
A crise financeira do Corinthians é crônica e imensa, mas não serve de justificativa para aceitar dinheiro de anunciantes cujos propósitos são prejudiciais ao público infantojuvenil. Ao fazer isso, o clube não só desrespeita crianças e mulheres, mas também degrada sua própria marca, construída ao longo de mais de um século de história.
Crise financeira não justifica
O Corinthians enfrenta dívidas que ultrapassam R$ 1 bilhão, e o patrocínio de R$ 22 milhões representa um alívio financeiro. No entanto, a diretoria é criticada por priorizar o dinheiro em detrimento da responsabilidade social. “O clube deveria buscar parceiros que estejam alinhados com seus valores”, defendeu um conselheiro do clube, sob condição de anonimato. A situação levanta o debate sobre os limites do patrocínio esportivo e a necessidade de regulamentação mais rigorosa.
Conclusão: um gol contra
Cabe às autoridades competentes agir e eliminar brechas jurídicas exploradas por empresas de conteúdo adulto para transformar o esporte mais popular do país em plataforma de vendas. O Corinthians, ao se associar a esse tipo de empreendimento, entra em flagrante contradição com sua história e provoca um verdadeiro “gol contra”. A expectativa é que a Justiça seja acionada para avaliar a legalidade do patrocínio, assim como ocorreu em Alagoas.



