Clubes, árbitros e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfrentam um desafio logístico e regulatório com a iminente implementação das novas regras anticera da International Football Association Board (IFAB) nos torneios pós-Copa do Mundo de 2026. Enquanto a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) adotará as normas de forma imediata em suas competições, a entidade brasileira optou por um caminho mais cauteloso, promovendo discussões antes de qualquer aplicação em seus campeonatos.
Conmebol adota regras anticera desde o primeiro jogo
De acordo com informações apuradas, a Conmebol já confirmou que as partidas sob sua jurisdição — como a Copa Libertadores, a Copa Sul-Americana e a Recopa — contarão com as novas diretrizes anticera a partir do primeiro minuto de jogo. A medida visa aumentar o tempo efetivo de bola rolando, combatendo atrasos intencionais como simulações, demora na reposição de bola e substituições prolongadas. A decisão foi tomada após a IFAB aprovar as mudanças em sua reunião anual, realizada em março de 2026.
CBF adota postura de discussão antes da implementação
Em contraste, a CBF anunciou que promoverá uma série de debates com clubes, federações estaduais e comissões de arbitragem antes de adotar as regras em competições nacionais, como o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e os estaduais. A entidade justifica que é necessário avaliar o impacto das mudanças no contexto do futebol brasileiro, que possui características próprias de jogo e cultura esportiva. “Queremos ouvir todos os envolvidos para garantir uma transição suave e evitar confusões em campo”, afirmou um porta-voz da CBF, que não quis ser identificado.
Clubes terão que se adaptar a regras distintas
Essa dualidade regulatória cria um cenário complexo para os clubes brasileiros, que precisarão se adaptar rapidamente a dois conjuntos de regras dependendo da competição. O Vasco da Gama, por exemplo, que disputa tanto o Campeonato Brasileiro quanto a Copa Sul-Americana em 2026, terá que treinar seus atletas para cumprir as normas anticera nos jogos da Conmebol, enquanto nos torneios nacionais ainda vigorarão as regras tradicionais até que a CBF decida pela implementação. “É um desafio logístico e mental para os jogadores e comissão técnica. Precisamos estar preparados para não sermos penalizados em competições internacionais”, comentou um dirigente vascaíto, sob condição de anonimato.
Detalhes das novas regras anticera
As regras aprovadas pela IFAB incluem medidas como a contagem regressiva de oito segundos para o goleiro repor a bola em jogo, a proibição de jogadores se atrasarem na saída de campo durante substituições (devendo sair pela linha mais próxima) e a punição mais rigorosa para simulações, com cartão amarelo automático. Além disso, a cronometragem do tempo de jogo será paralisada em situações específicas, como na marcação de faltas e cobranças de escanteio, para evitar perda de tempo. Estima-se que as medidas possam aumentar o tempo efetivo de jogo em até 10%, segundo estudos da IFAB.
Impacto nos campeonatos nacionais e internacionais
Enquanto a Conmebol busca alinhar suas competições às diretrizes globais da FIFA, a CBF demonstra preocupação com a adaptação dos árbitros brasileiros, que precisarão de treinamento específico para aplicar as novas regras. A entidade planeja realizar cursos e seminários nos próximos meses, mas não estabeleceu um prazo para a adoção definitiva. Clubes como Flamengo, Palmeiras e Corinthians, que frequentemente disputam torneios internacionais, já iniciaram treinamentos internos para se adequar às normas anticera.
Reações e expectativas
Especialistas em arbitragem ouvidos pela reportagem avaliam que a postura da CBF é prudente, mas alertam para o risco de confusão entre jogadores e árbitros em partidas de competições mistas. “O ideal seria que todas as competições seguissem o mesmo regulamento, mas a realidade é que teremos um período de transição”, disse um ex-árbitro FIFA que preferiu não ser nomeado. A expectativa é que a CBF anuncie uma data para a implementação das regras anticera ainda neste semestre, possivelmente a partir de 2027.



