Cartões corporativos em clubes: uso pessoal e falta de controle geram escândalos
Cartões corporativos em clubes: uso pessoal e falta de controle

Cartões corporativos de clubes de futebol brasileiros viraram símbolo de má gestão e falta de controle financeiro, com ex-presidentes de Corinthians e São Paulo usando o recurso para gastos pessoais como viagens, restaurantes, lojas de grife e até charutos. Uma investigação do ge com 20 clubes da Série A revelou que apenas nove responderam, e a maioria não permite que presidentes tenham cartão, exceto o Internacional.

Uso e controle dos cartões

Dos nove clubes que responderam, apenas o Internacional informou que o presidente Alessandro Barcellos possui cartão corporativo, usado para alimentação, hospedagem e transporte institucional. Os demais disponibilizam cartões para diretores, gerentes e profissionais de áreas como futebol, base e finanças. Exemplos de uso incluem despesas em viagens, como pizzas e lanches para atletas, além de assinaturas de softwares. Nenhum clube autoriza compras pessoais.

Escândalos recorrentes

Casos recentes incluem o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que usou o cartão para compras pessoais em 2021, e o ex-presidente do São Paulo, que também teve gastos irregulares. O Cruzeiro, anos atrás, pagou até despesas em casa noturna. Especialistas apontam que o problema não é o cartão em si, mas a falta de regras e fiscalização. Washington Fonseca, especialista em Direito Corporativo, afirma: "O cartão em si não é o problema. O problema é quem se utiliza mal dessa ferramenta."

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Falta de fiscalização e política de compliance

Mesmo clubes com departamentos de compliance e Conselho Fiscal, como Corinthians e São Paulo, não evitaram desvios. O caráter político na gestão contribui, já que fiscais são muitas vezes indicados pelos próprios dirigentes. A CBF recomenda a implementação de Programas de Integridade, mas não obriga. O Coritiba, por exemplo, aboliu quase todos os cartões após identificar compras de roupas, adotando reembolso via conta digital.

Alternativas e punições

O Coritiba reduziu de 25 cartões para apenas um, no financeiro, usando a plataforma Paytrack. Os funcionários usam recursos próprios e solicitam reembolso online. Clubes como Palmeiras e Santos têm regras claras: despesas não comprovadas são descontadas do salário ou levam a demissão. O São Paulo criou uma política de uso do cartão apenas em dezembro de 2025.

Respostas dos clubes

Atlético-MG: cartão para gerente financeiro e de futebol, usado em softwares e emergências, sem limite por compra e sem punições pré-definidas. Corinthians: usado por departamento de registro de atletas, com limite na fatura e punições pelo Conselho. Coritiba: quase aboliu cartões; único no financeiro. Internacional: presidente, CEO e supervisor usam para logística e emergências, com prestação de contas detalhada. Palmeiras: apenas dois colaboradores, com controle rigoroso e punições como demissão. Santos: gerente financeiro e coordenador de futebol, com compliance e Conselho Fiscal. São Paulo: diretor financeiro e executivo de futebol, com política de uso criada em 2025. Vasco: gerente financeiro e CFO, com limites e código de conduta. Vitória: várias áreas, com norma interna e prestação de contas mensal.

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