A seleção de Cabo Verde entra em campo nesta sexta-feira (3), no Estádio de Miami, para a partida de futebol mais importante de sua história: enfrenta a Argentina nas oitavas de final da Copa do Mundo. Estreante no torneio, a equipe conseguiu uma improvável classificação ao obter o segundo lugar em seu grupo, em parte graças às defesas do goleiro Vozinha, um dos destaques da competição após segurar um 0 a 0 contra a favorita Espanha.
Menor nação a chegar ao mata-mata
O feito não é pequeno: com cerca de 525 mil habitantes, Cabo Verde se tornará a menor nação a disputar um mata-mata de Copa na história da competição. O arquipélago tem a terceira menor população de qualquer país que já disputou alguma vez o torneio. Islândia, em 2018, e Curaçao, neste ano, têm menos habitantes, mas não passaram da fase de grupos.
Geografia e língua
O país é composto de dez ilhas – e outras tantas ilhotas – no Oceano Atlântico, perto da costa africana. Nas placas e nos documentos oficiais, o português é a língua de Cabo Verde. No dia a dia, é comum ouvir o crioulo cabo-verdiano, mas a população é fluente em ambos os idiomas.
História: de ilhas desabitadas à independência
A história do país começa em 1444, quando as ilhas foram avistadas pela primeira vez por exploradores portugueses. As caravelas só aportaram por lá, porém, em 1460. Os navegadores não fizeram contato com a população nativa, porque não havia população nativa. O arquipélago era completamente desabitado, e os primeiros europeus encontraram no lugar apenas aves e peixes. Longe da civilização, o local habitado mais próximo era um cabo na África continental, conhecido como Cabo Verde (atualmente parte do Senegal), de onde o país pegou emprestado seu nome.
Com o objetivo de colonizar o local, a Coroa Portuguesa incentivou o povoamento a partir do século XV. Foi só cerca de 150 anos depois, porém, com o advento do tráfico de escravizados pelo Atlântico, o arquipélago ganhou relativa importância econômica, como porto de parada estratégico de navios. Portugal controlou as ilhas até 1975, quando Cabo Verde conquistou a independência, em parte pela queda da ditadura salazarista, em parte pela luta armada de figuras como Amílcar Cabral (1924-1973), que viveu no arquipélago e também participou da independência de Guiné-Bissau.
Os primeiros anos de Cabo Verde independente foram sob o comando do presidente Aristides Pereira, que estabeleceu um regime socialista de partido único. Uma tentativa de fusão com a Guiné-Bissau foi discutida, mas fracassou em 1980, após um golpe militar no continente. O próprio hino nacional era compartilhado entre as duas nações até 1992. Naquele mesmo ano, o país ganhou uma nova Constituição multipartidária, com eleições regulares.
Economia: turismo e dependência externa
Cabo Verde não tem uma grande oferta de recursos naturais, como minérios ou petróleo. Apenas 10% de seu território é cultivável, e só quatro de suas ilhas recebem chuvas frequentes. Apesar disso, com um PIB per capita de US$ 5.800 (cerca de R$ 30,2 mil), o país está relativamente melhor do que a maioria das outras nações africanas, segundo o Banco Mundial. A principal receita do país vem do turismo, e os repasses de cabo-verdianos imigrantes também são parte importante da economia. Cabo Verde precisa importar boa parte de seu alimento e todo o petróleo, que abastece quase a totalidade de seu sistema elétrico. Seu principal parceiro comercial segue sendo a ex-metrópole, Portugal.
Ídolos: de Cesária Évora a Vozinha
Apesar do sucesso de Vozinha na Copa, a figura mais famosa do país internacionalmente segue sendo a cantora Cesária Évora (1941-2011). O goleiro pode chegar perto da “diva dos pés descalços”, contudo, se o país avançar de fase no Mundial – tarefa nem um pouco fácil, pois nesta sexta a sua missão é segurar o ataque de Messi, Lautaro Martínez e companhia.



