A ala associativa do Botafogo protocolou nesta segunda-feira uma contestação formal à ação movida pelo empresário americano John Textor na Justiça, buscando impedir o bloqueio das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. Textor havia solicitado à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro que impossibilitasse a alienação das ações do alvinegro, sob alegação de uma suposta dívida de R$ 150 milhões contraída pela Eagle Bidco, empresa holding que controla a SAF.
Clube nega existência da dívida e critica omissão de documentos
Na petição, o Botafogo associativo sustenta que Textor omitiu documentos essenciais no pedido inicial e que a dívida mencionada é inexistente. De acordo com o clube, o bloqueio das ações prejudicaria não apenas o processo de recuperação judicial em andamento, mas também a captação de novos investimentos para a SAF. O documento destaca que a operação financeira em questão foi realizada por meio de capitalização, e não de venda de ações, como alega o empresário.
“Textor tenta justificar o bloqueio com base em um suposto crédito que não se sustenta diante dos documentos que apresentamos. A dívida de R$ 150 milhões nunca existiu”, afirmou João Paulo Magalhães Lins, presidente do Botafogo, em nota oficial. O clube também ressaltou que a ação de Textor configura um ato de má-fé processual, pois o empresário teria conhecimento da ausência de lastro para a cobrança.
Entenda o imbróglio jurídico entre Textor e o Botafogo
John Textor, que adquiriu 90% das ações da SAF do Botafogo em 2022 por aproximadamente R$ 400 milhões, alega que a venda de ações da Eagle Bidco para a Lyfe Capital, ocorrida em 2023, deveria ter gerado o pagamento de R$ 150 milhões ao empresário. No entanto, o Botafogo associativo afirma que a transação foi uma capitalização da holding, sem relação direta com a dívida pessoal de Textor. A SAF do Botafogo, que gere o futebol profissional, está em recuperação judicial desde 2024, e o bloqueio das ações poderia inviabilizar o plano de reestruturação em curso.
Em sua defesa, Textor argumenta que o montante se refere a um empréstimo feito à Eagle Bidco para a compra de jogadores e que não foi quitado. O empresário pediu à Justiça que as ações fiquem indisponíveis até que a dívida seja paga. Contudo, o Botafogo associativo apresentou documentos que comprovam que a Eagle Bidco já havia quitado a maior parte do valor, restando apenas uma parcela de R$ 12 milhões, que estaria em negociação.
Botafogo pede participação formal no processo
Além de contestar o bloqueio, o Botafogo associativo requereu sua participação formal no processo como terceiro interessado, alegando que a decisão pode afetar diretamente os direitos do clube social. A ala associativa é responsável pela gestão das demais modalidades esportivas e do patrimônio histórico, que não foram transferidos para a SAF. Caso o bloqueio seja mantido, o Botafogo teme que a SAF perca o controle acionário e que o clube seja prejudicado no cumprimento de suas obrigações com credores.
O juiz responsável pelo caso ainda não se pronunciou sobre o pedido de bloqueio. A expectativa é que a decisão saia nos próximos dias, após a análise das contestações do Botafogo. Especialistas jurídicos ouvidos pela reportagem avaliam que a ação de Textor pode ser considerada improcedente, caso fique comprovada a inexistência da dívida ou a falta de lastro documental.
Impacto no futebol e na torcida alvinegra
A novela judicial gera instabilidade no ambiente do Botafogo, que vive momento de recuperação esportiva e financeira. A torcida alvinegra acompanha com apreensão os desdobramentos, temendo que a briga na Justiça atrapalhe os planos de reforços para a temporada. “O clube precisa de paz para continuar crescendo. Esse tipo de ação só atrapalha”, comentou o torcedor Carlos Eduardo, de 34 anos, em frente ao Estádio Nilton Santos. O Botafogo soma 12 pontos no Campeonato Brasileiro e busca se consolidar no G-4.



