O tenista britânico Arthur Fery, de 23 anos, tornou-se a última esperança do Reino Unido em Wimbledon ao avançar para as semifinais do torneio. Ele é o primeiro wildcard a chegar a essa fase desde que Goran Ivanisevic conquistou o título em 2001. Fery venceu o italiano Flavio Cobolli, nono cabeça de chave, na quadra central na quarta-feira, em sets diretos.
Família de peso: pai gestor de hedge fund e mãe ex-tenista
O pai de Fery, Loic Fery, é fundador da Chenavari Investment Managers, um dos principais especialistas em crédito da Europa. Ele acompanhou o jogo nas arquibancadas. A mãe, Olivia Fery, também foi tenista profissional. Loic Fery foi dono do clube de futebol francês FC Lorient por 14 anos, vendendo sua participação em janeiro de 2026 ao grupo Black Knight Football Club, do bilionário Bill Foley, mas segue como presidente do clube. Em publicação no Instagram antes da partida, o pai escreveu: “Obrigado também pelo incrível apoio de todos.”
Trajetória de Fery: de Wimbledon a Stanford
Crescido a apenas cinco minutos das quadras de Wimbledon, Fery entrou no torneio com o ranking 114 do mundo. Após concluir os estudos em uma escola local, optou por cursar a Universidade de Stanford, na Califórnia, onde chegou ao primeiro lugar no ranking universitário de simples dos Estados Unidos. Com 1,75 m de altura, é conhecido por ser excepcionalmente atlético e veloz, apesar da estatura mais baixa.
Desempenho sólido da Chenavari durante a pandemia
Loic Fery, ex-diretor global de mercados de crédito na unidade Calyon do Crédit Agricole, cofundou a Chenavari durante a crise financeira de 2008. A gestora, especializada em renda fixa alternativa nos mercados de crédito europeus, com escritórios em Londres, Paris e Abu Dhabi, administra cerca de US$ 5,8 bilhões em ativos, segundo seu site. Durante a pandemia de Covid, um de seus veículos registrou ganho estimado de 73,5% em março de 2020, quando os spreads de crédito se alargaram.
Atmosfera de futebol na quadra central
A torcida gritava “Arthur! Arthur!” à medida que Fery ampliava a vantagem, com o juiz de cadeira emitindo um aviso severo pedindo silêncio. Fery se motivou ao longo de toda a partida, cerrou o punho e gritou “Vamos!” a cada ponto conquistado. Ele ainda incentivou os fãs a torcerem mais alto conforme se aproximava da vitória. A rainha Camilla estava presente na primeira fila do camarote real e demonstrou apoio ao compatriota. Após vencer o terceiro set por 6 a 0, Fery desabou incrédulo. A torcida explodiu em pé, com uma energia mais parecida com a de uma partida de futebol do que de tênis.
Próximo desafio: Alexander Zverev
Quando perguntado na entrevista pós-jogo sobre como se prepararia para o duelo contra o alemão Alexander Zverev, ele disse que não sabia. “Nunca estive nessa posição antes”, disse Fery. O último britânico a chegar a essa fase foi Andy Murray, em 2016. “Tenho uma grande afinidade com isso, e é uma história bonita”, disse Adam Kelly, presidente da IMG, em entrevista — ele também cresceu em Wimbledon e estudou na mesma escola que Fery. “É o que você ama ver no esporte: o azarão, o desconhecido.”



