O Real Madrid saiu em defesa do futebol tradicional e comemorou, neste domingo, a retirada oficial da proposta da Fifa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa vinculada à entidade máxima do esporte e que receberia investimento privado. A ideia, que vinha sendo debatida nos bastidores, previa a venda parcial dos direitos comerciais das competições organizadas pela Fifa. Para o clube merengue, a desistência é uma boa notícia para todos os envolvidos no esporte.
“O Real Madrid CF avalia de forma muito positiva a decisão tomada pela Fifa de abandonar a proposta de venda parcial dos direitos comerciais de suas competições. O clube considera que essa é uma boa notícia para o futebol, para suas instituições e, acima de tudo, para os milhões de torcedores apaixonados pelo esporte”, afirma o comunicado.
União de entidades foi decisiva para derrubar proposta
Na nota, o Real Madrid não poupou elogios às entidades que se opuseram de forma firme ao projeto. O clube agradeceu à Uefa, às confederações, às federações nacionais e a todas as instituições que atuaram contra a iniciativa. Segundo o time espanhol, a união dessas organizações foi determinante para impedir que a proposta avançasse em um momento crucial para o futebol mundial.
“O Real Madrid deseja expressar seu agradecimento à Uefa, às confederações e federações, e a todas as instituições que se opuseram com firmeza e responsabilidade a este projeto. Sua união e seu senso de dever protegeram o futebol em um momento decisivo”, diz a nota.
Competições de seleções não podem virar mercadoria
O clube também reforçou um princípio que considera inegociável: a Copa do Mundo e as demais competições de seleções são patrimônio do futebol. Para o Real Madrid, esses torneios não devem ser tratados como ativos financeiros criados para gerar lucro a investidores. A visão é de que a essência do esporte estaria ameaçada caso o controle dessas receitas fosse transferido para o mercado.
“Consideramos que nunca devem ser tratados como simples ativos financeiros destinados a ser comercializados em benefício de uns poucos”, completa o comunicado.
Quem forma os atletas deve assumir os riscos
Outro ponto presente na manifestação é o papel dos clubes na formação dos atletas que atuam nas principais competições internacionais. O Real Madrid argumenta que, como as agremiações são as responsáveis por esse trabalho, não é aceitável comprometer receitas futuras sem que os investidores assumam os riscos da operação. A lógica é clara: quem investe e arca com os custos do futebol de base precisa ser protegido de acordos que transferem os benefícios para o capital privado.
Um alerta com base no acordo LaLiga e CVC
A nota ainda resgata um tema caro ao clube no cenário espanhol. O Real Madrid foi contrário ao acordo entre a LaLiga e o fundo de investimentos CVC, que antecipou parte das receitas audiovisuais dos clubes por um longo período — exatamente 50 anos. Para o clube, essa operação criou um precedente perigoso, que hipotecou a saúde financeira das equipes e serviu de alerta para o mundo do futebol.
“Hipotecar durante meio século receitas que pertencem aos clubes, que são quem assume a totalidade dos custos e dos riscos, constitui um precedente que o futebol não deve repetir, seja em nosso país ou no âmbito internacional”, destaca o Real Madrid.
O pronunciamento foi divulgado dias depois de a Fifa retirar oficialmente a proposta, após forte resistência de confederações, federações e clubes. Para o Real Madrid, a decisão representa uma demonstração de que a união das instituições pode proteger o futebol de interesses comerciais de curto prazo. O desfecho também é visto como um sinal de que a pressão coletiva continua sendo uma ferramenta eficaz para preservar o modelo de gestão do esporte mais popular do planeta.



