Buffon critica privatização da Copa e alerta para boicote
Buffon critica privatização da Copa e alerta para boicote

O ex-goleiro italiano Gianluigi Buffon, campeão mundial em 2006, reagiu com surpresa e preocupação à proposta do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de privatizar a Copa do Mundo. Em meio à crise instalada na entidade máxima do futebol, Buffon afirmou que a possibilidade de um boicote ao torneio não deve ser ignorada. “Se certas linhas forem cruzadas, decisões firmes serão necessárias”, declarou o ex-jogador.

Declaração de Buffon sobre a privatização

A declaração foi dada em um momento de grande turbulência na Fifa. A ideia de Infantino, que já circulava nos bastidores, ganhou força nos últimos meses e acabou dividindo direções de federações e confederações. Para Buffon, o futebol está diante de um dos maiores desafios de sua história, e os protagonistas do esporte não podem ficar em silêncio.

“Decisões firmes serão necessárias”, reforçou Buffon. A frase, dita em tom de alerta, é interpretada por observadores como uma indicação de que os jogadores podem se mobilizar de forma coletiva contra o plano de privatização. O ex-goleiro, conhecido por sua postura criteriosa, evita fazer ameaças diretas, mas deixa claro que há limites.

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O contexto da proposta de Gianni Infantino

A proposta de privatização da Copa do Mundo faz parte de um pacote de medidas de Infantino para ampliar a arrecadação da Fifa. A ideia central é transferir para o setor privado a exploração de ativos comerciais do torneio, como direitos de transmissão, patrocínios e licenciamento de produtos. O objetivo seria multiplicar as receitas nos próximos ciclos.

Gianni Infantino, que está no comando da Fifa desde 2016, já havia enfrentado críticas em outras oportunidades, especialmente ao defender a realização de Copas do Mundo a cada dois anos. A nova frente de debate acendeu ainda mais os ânimos. Segundo a imprensa internacional, a proposta não foi bem recebida por membros do Conselho da Fifa, o que provocou um racha interno e a crise que ainda não foi debelada.

A trajetória de Buffon e seu peso no esporte

Nascido em Carrara, na Itália, Buffon é um dos atletas mais vitoriosos de sua geração. Pela seleção italiana, ele disputou cinco edições da Copa do Mundo e foi titular na conquista do título em 2006. Ao todo, são mais de 170 jogos pela Azzurra, número que o coloca entre os jogadores com mais partidas pela seleção no mundo.

Com 46 anos de idade, Buffon encerrou a carreira como jogador em 2023, mas seguiu ligado ao futebol. Atualmente, atua como chefe de delegação da seleção italiana, função que o mantém próximo dos bastidores das competições internacionais. Por isso, suas declarações são levadas a sério dentro e fora de campo.

Boicote como ferramenta de pressão

A possibilidade de um boicote à Copa do Mundo não é inédita. Ao longo da história, atletas e países já ameaçaram se ausentar de competições em protesto contra decisões políticas e institucionais. No caso atual, a ideia é usar a mobilização dos jogadores como instrumento para barrar a privatização.

Um boicote teria consequências gigantescas para a Fifa. Uma Copa do Mundo sem as principais estrelas do futebol mundial seria um desastre financeiro e de imagem. Por isso, a ameaça de Buffon não é vista como um simples desabafo, mas como um possível prenúncio de uma articulação mais ampla entre atletas de diferentes países.

O que esperar daqui para frente

Enquanto a Fifa discute a proposta internamente, o calendário do futebol segue se aproximando da Copa de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, no Canadá e no México. A expectativa é que o modelo de gestão comercial seja definido nos próximos meses, mas a pressão sobre Infantino tende a aumentar.

Buffon, por sua vez, deixou sua posição pública. O ex-goleiro afirma que, se as linhas forem cruzadas, ele não hesitará em apoiar medidas firmes. A frase deve ecoar nas reuniões da Fifa e entre as associações de jogadores, que agora sabem que uma das maiores lendas do futebol está atento e disposto a reagir.

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