A seleção do Irã iniciou sua participação na Copa do Mundo com um empate contra a Nova Zelândia, mas o resultado em campo ficou em segundo plano diante dos desafios enfrentados fora das quatro linhas. Atletas e dirigentes iranianos cobraram da Fifa condições melhores do que as oferecidas pelos Estados Unidos, país sede do torneio.
Restrições e vistos de última hora
Jogar em um país com o qual se está em conflito trouxe inúmeros obstáculos. Os jogadores iranianos só conseguiram os vistos dez dias antes da estreia, e alguns membros da comissão técnica ficaram sem autorização. A base do time, que seria montada no Arizona, precisou ser transferida para Tijuana, no México. Além disso, os iranianos só podiam entrar nos Estados Unidos 36 horas antes de cada partida.
Protestos e símbolos políticos
Los Angeles, cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do país, poderia ser um apoio importante, mas o clima foi de protesto. A bandeira com o leão e o sol, símbolo do Irã pré-Revolução Islâmica, foi usada por manifestantes contra o regime dos aiatolás e a participação do Irã na Copa. A Fifa proibiu a bandeira a pedido da federação iraniana, mas muitos torcedores a exibiram no estádio.
“Não é sobre bandeira, futebol, o time. É um regime que tem matado pessoas que pedem liberdade. Mesmo que façam 20 gols, qual a razão para celebrar?”, questionou uma torcedora. Por outro lado, uma iraniana disse: “Sou a favor de um Irã livre, mas estou aqui para apoiar a população e a seleção”.
Jogo e apoio da torcida
Dentro de campo, a Nova Zelândia abriu o placar com Just, Rezaeian empatou para o Irã, Just marcou novamente, e Mohebi deixou tudo igual. Apesar dos protestos, a torcida iraniana apoiou a seleção.
Intervenção da Fifa
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi ao vestiário conversar com a equipe iraniana: “Eu sei o que estão passando, eu entendo. Mas vocês são mais fortes que tudo. Nesta noite, uniram o estádio e mandam uma mensagem forte ao mundo”. O treinador Amir Ghalenoei respondeu em persa: “Fomos o time mais agredido na Copa por causa das condições e do efeito criado contra nós. Espero que a Fifa aja com mais força para que o time não seja mais oprimido”.
Problemas logísticos persistem
O capitão Taremi reclamou da obrigação de deixar o país no mesmo dia do jogo, sem descanso: “A Fifa tem que nos ajudar mais”. Na volta ao México, ele e um auxiliar tiveram problemas na checagem de documentos, atrasando a decolagem. No domingo (21), o Irã volta a Los Angeles para o segundo jogo. A federação informou que o jogador Mahdi Torabi teve visto de apenas uma entrada, válido por poucas horas, mas que a situação foi resolvida com um novo visto de múltiplas entradas.



