Rafael Lopes analisa o GP da Bélgica de Fórmula 1 com vitória de Antonelli. Lewis Hamilton chega ao Hungaroring para o GP da Hungria deste fim de semana com uma meta: se aproximar do líder do campeonato Kimi Antonelli, 45 pontos à frente do britânico. Mas o piloto da Ferrari também pode alcançar um marco pessoal na última corrida antes da pausa de verão europeu da Fórmula 1.
Recorde histórico ao alcance
Para isso, o heptacampeão vai ter que vencer a corrida na travada pista húngara, conhecida como "Mônaco sem muros" por causa dos poucos pontos de ultrapassagem. Se conseguir triunfar no Hungaroring, Hamilton chegará à nona vitória no circuito e igualará o recorde histórico de provas ganhas em um mesmo autódromo - também pertencente a ele, mas em Silverstone. Atualmente, Hamilton tem 8 vitórias na Hungria, contra 9 na Grã-Bretanha. Apenas um piloto além de Hamilton venceu oito vezes na mesma pista: Michael Schumacher, em Magny-Cours, na França.
Retrospecto soberano na Hungria
O retrospecto de Hamilton é soberano na Hungria. O ferrarista tem o dobro de vitórias na pista do segundo maior ganhador, o alemão Michael Schumacher (4). Lewis também é o piloto com mais pódios no circuito, com 12, além de deter o recorde de pole positions, com nove. O primeiro triunfo do heptacampeão na pista aconteceu logo na temporada de estreia na F1, em 2007, depois de ser bloqueado de propósito por Fernando Alonso nos boxes durante a classificação e perder a pole inicialmente - o espanhol foi punido na sequência. Hamilton voltaria a vencer em 2009 e 2012 com a McLaren e, depois, somou mais cinco idas ao topo do pódio com a Mercedes: 2013, 2016, 2018, 2019 e 2020.
Confiança renovada
Depois de vencer o GP de Barcelona-Catalunha com uma estratégia impecável da Ferrari e quebrar jejum que durava quase dois anos, Hamilton não teve tanto destaque nas três corridas seguintes: terminou no quinto lugar na Áustria, foi o terceiro colocado em Silverstone e ficou na quarta posição na Bélgica. Apesar disso, Hamilton tem um motivo bastante relevante para chegar com confiança à Hungria: justamente a característica travada da pista húngara. O otimismo, aliás, também vale para Charles Leclerc e toda a equipe Ferrari. Embora não sejam iguais, as pistas de Spielberg, Silverstone e Spa-Francorchamps têm características até certo ponto semelhantes, com longos trechos de reta que ajudam os carros com melhor motor – o que não é um ponto forte da Ferrari na comparação com os fabricados pela Mercedes e Red Bull-Ford.
Características da pista favorecem Ferrari
É verdade que a Ferrari conseguiu um bom resultado em Silverstone, com Charles Leclerc como vencedor após assumir a ponta na largada, mas Kimi Antonelli vinha muito mais rápido para tomar a liderança quando o defletor da roda quebrou e um pedaço de fibra de carbono se alojou na suspensão, tirando o italiano da briga para ganhar. Em Hungaroring, a natureza do circuito faz com que os carros com boa estabilidade e velozes nos trechos de média velocidade larguem como postulantes a bons resultados, o que se encaixa com o SF-26, carro da Ferrari neste ano. Embora a pista tenha quatro zonas de ativação do modo reta, a reta dos boxes é a única grande o suficiente para ultrapassar sem dificuldade.
Não é favoritismo
Isso não quer dizer que a Ferrari chega como favoritíssima a vencer em Hungaroring; afinal, em Mônaco esperava-se um domínio da equipe italiana, mas Kimi Antonelli deu o triunfo à Mercedes com um ritmo muito superior ao do resto do pelotão. Hamilton tem expectativa de ir bem e igualar o recorde de Silverstone. – Espero que consigamos. Antes de mais nada, preciso ter um bom desempenho na próxima semana e garantir que em Budapeste eu dê o meu melhor. Precisamos unir forças e lutar por isso – disse.
Má fase de 2025 na Hungria
No dia 2 de agosto de 2025, há quase um ano, Lewis Hamilton saiu de cabeça baixa depois de ficar apenas com o 12º tempo na classificação para o GP da Hungria, enquanto Leclerc fez a pole position. Na ocasião, o britânico deu uma declaração que marcaria o ano complicado dentro das pistas, sem sequer ir ao pódio. – Sou eu toda vez. Sou inútil, simplesmente inútil. A equipe não tem problema, o outro carro está na pole. Eles provavelmente têm que trocar o piloto – disse na ocasião. Antes, Hamilton jamais tinha terminado abaixo do sexto lugar em uma corrida no Hungaroring, mas não conseguiu reagir no ano passado e acabou na mesma posição em que largou.
Mudança de cenário
De lá para cá, muita coisa mudou. De espírito renovado após "se desconectar da Matrix" nas férias e com um carro mais adaptado ao seu estilo de pilotagem, Hamilton subiu cinco vezes ao pódio em dez corridas e se coloca, ao menos neste momento, como principal postulante a ameaçar Kimi Antonelli na briga pelo título, já que George Russell tem sofrido com abandonos e maus desempenhos na Mercedes. Embora Kimi Antonelli já esteja garantido como líder da F1 2026 na pausa do verão europeu, Hamilton terá a chance de reduzir em, pelo menos, oito pontos a diferença para o italiano – e entrar de férias em um estado anímico muito melhor que o da última vez.



