Há exatos 50 anos, nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976, a ginasta romena Nadia Comaneci conquistou o primeiro 10 perfeito da história olímpica. Aos 14 anos, ela não apenas entrou para os livros de recordes, mas também transformou para sempre a ginástica artística. Em entrevista durante o Laureus World Sports Awards, Comaneci relembrou os 17 segundos que mudaram sua vida e o esporte.
O momento histórico
No dia 18 de julho de 1976, durante a competição por equipes, Comaneci realizou uma rotina impecável nas barras assimétricas. O placar eletrônico, no entanto, não estava programado para exibir a nota 10,00 – considerada impossível até então. Em vez disso, mostrou '1.00', causando confusão na plateia. 'Eu nem sabia que havia feito história. Quando vi o 1.00, pensei que era uma nota baixa', disse a ex-ginasta, hoje com 64 anos.
Seis notas 10 e três ouros
Naquela Olimpíada, Comaneci não parou por aí. Ela recebeu seis notas 10 no total e conquistou três medalhas de ouro (individual geral, barras assimétricas e trave), além de uma prata e um bronze. Seu desempenho elevou o padrão da ginástica e inspirou gerações. 'Aquele momento se tornou sinônimo de perfeição, mas para mim era apenas fazer o meu melhor', afirmou.
Legado e impacto
Comaneci destaca que o esporte foi fundamental em sua formação. 'A ginástica me ensinou disciplina, resiliência e a importância da educação. Hoje, uso minha história para inspirar crianças a acreditarem em seus sonhos', contou. O feito completo 50 anos em meio a celebrações e reflexões sobre a evolução da modalidade. O Comitê Olímpico Internacional (COI) reconheceu a nota como um marco do esporte.
Reações e memórias
O fotógrafo Sebastião Marinho, da Agência O Globo, registrou o momento exato em que Comaneci comemorava a nota inédita. A imagem se tornou icônica. 'Foi uma explosão de alegria. Ninguém esperava que uma nota tão perfeita fosse possível', relembrou o fotógrafo em entrevista recente.
Comaneci, que hoje vive nos Estados Unidos, continua envolvida com a ginástica por meio de sua fundação e eventos esportivos. 'O 10 perfeito foi apenas o começo. O que realmente importa é o que fazemos com as oportunidades que a vida nos dá', concluiu.



