Ketleyn Quadros, aos 38 anos, anuncia sua aposentadoria do judô competitivo, encerrando um ciclo de três décadas dedicadas ao esporte. A judoca, que conquistou o bronze em Pequim 2008 e Paris 2024, agora sonha em ser mãe: "Sim, eu tenho esse sonho de ser mãe. Então, se você perguntar minha próxima medalha olímpica, espero que seja a minha família", disse ao ge.
Trajetória de conquistas e marcos históricos
Ketleyn Quadros nasceu em Ceilândia, Distrito Federal, e começou no judô ainda criança. Aos 20 anos, tornou-se a primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica em um esporte individual, com o bronze em Pequim 2008. Dezesseis anos depois, em Paris 2024, conquistou o bronze por equipes mistas, o primeiro pódio do judô brasileiro em Jogos Olímpicos nessa categoria. Além disso, foi porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura de Tóquio 2020/2021, tornando-se a primeira mulher negra a ocupar essa posição.
Decisão de parar e planos para a maternidade
A aposentadoria foi planejada com calma. "Eu coloquei uma meta que fosse antes dos 40. Então está próximo. Quando eu voltei de Paris 2024, já pensando nessa possibilidade, que seria uma mãe mais experiente, eu já fiz meu congelamento de óvulos", explicou. Ketleyn destacou que não quer passar pela experiência da maternidade junto com a rotina intensa de atleta de alto rendimento. "Porque no judô a gente é assim, vive mais com os nossos amigos da seleção, é uma viagem atrás da outra", completou.
Transição de carreira e novos projetos
Ketleyn já vinha se preparando para a transição. Fez curso do COB sobre transição de carreira e, após Tóquio, conversou com o marido, Alex Pombo, também judoca olímpico. "Ele falou: 'Não, você está super bem, bem ranqueada, tá feliz e com saúde. Eu acho que você poderia continuar'. Era o que eu queria também", lembrou. Agora, ela pretende atuar na gestão esportiva, como membro da comissão de atletas do COB, e não descarta ser técnica de base no futuro. "Eu amo as crianças, eu não tiraria essa possibilidade de, no futuro, ter uma escolinha ou poder retribuir toda essa educação com as crianças", afirmou.
Legado e representatividade feminina
Ketleyn reflete sobre seu papel como pioneira. "Eu me sinto muito abençoada por Papai do Céu, por ele me escolher para ser essa pessoa que abre a porteira para que outras meninas tenham oportunidade", disse. Ela lembra que, quando começou, não sabia se mulheres podiam praticar judô. Hoje, vê o aumento do número de mulheres nos tatames e espera inspirar futuras gerações. "A única coisa que eu sinto falta é mesmo de estar com as meninas na resenha, conversando, viajando. Zero saudade da parte competitiva", concluiu.



