Ana Marcela Cunha quebra recorde sul-americano no Canal da Mancha
Ana Marcela bate recorde sul-americano no Canal da Mancha

A campeã olímpica Ana Marcela Cunha escreveu mais um capítulo histórico em sua carreira nesta quarta-feira (22). A brasileira completou a travessia do Canal da Mancha, percurso de 42,9 km entre a Inglaterra e a França, em 8 horas, 25 minutos e 29 segundos, estabelecendo um novo recorde sul-americano. A marca superou os tempos de Ana Mesquita (9h40min em 1993) e Adherbal de Oliveira (8h49min em 2015).

Desafios da travessia

A travessia do Canal da Mancha é considerada a mais tradicional e difícil prova de natação em águas abertas do mundo. Os atletas enfrentam não apenas a longa distância, mas também condições adversas como frio intenso, águas-vivas venenosas e fortes correntezas. O percurso em linha reta tem 33 km, mas os nadadores geralmente percorrem uma distância maior para evitar correntes desfavoráveis.

Ana Marcela teve uma janela de tentativa entre 20 e 29 de julho. Na madrugada de quarta-feira, as condições climáticas se mostraram favoráveis: temperatura ambiente em torno de 23°C e água a aproximadamente 19°C. Ela largou às 1h (horário de Brasília) na praia de Dover, na Inglaterra, e chegou por volta das 9h25 em Calais, na França.

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Equipamento e preparação

Para a travessia, é proibido o uso de roupas especiais como neoprene, que auxiliam na flutuação e não são permitidas para homologação de recordes. Ana Marcela vestiu apenas touca, óculos e maiô. Para se proteger do frio e de assaduras, ela aplicou uma mistura de vaselina e lanolina na pele, que atua como isolante térmico e impermeabilizante.

Além do frio, outro perigo são as águas-vivas, que podem causar queimaduras dolorosas. O tráfego intenso de embarcações no estreito também exige atenção redobrada. Um barco acompanhou a nadadora durante todo o trajeto, com sua equipe de apoio, um árbitro para homologação, um representante do Guinness World Records e um videomaker.

Carreira vitoriosa

Ana Marcela Cunha é dona de 16 medalhas em Mundiais de natação e do ouro olímpico conquistado em Tóquio 2020. A travessia do Canal da Mancha era um objetivo pessoal para a temporada. “É a realização de um sonho. Sempre admirei os grandes nomes que fizeram essa travessia e agora poder fazer parte dessa história é algo indescritível”, declarou a atleta, segundo sua assessoria.

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