Andre Agassi, ex-número 1 do mundo, elogiou o brasileiro João Fonseca durante participação na Expert XP 2026. O americano disse que o jovem tenista, apontado como uma das maiores promessas do circuito, precisa desenvolver discernimento para lidar com a quantidade de conselhos que recebe no início da carreira. Ao comentar que conselho daria ao atleta, Agassi respondeu em tom bem-humorado: “Não ouça as pessoas que querem dar conselhos”.
Filtrar conselhos é essencial
Na sequência, Agassi explicou que a fala não deve ser interpretada como um incentivo à resistência cega, mas como um alerta sobre a importância de questionar, filtrar e interpretar o que se ouve ao longo da trajetória profissional. Para ele, um talento em ascensão precisa aprender a separar ruído de orientação útil.
Ainda assim, o americano compartilhou recomendações que daria a Fonseca. Segundo Agassi, o brasileiro deve buscar compreender com clareza seus pontos fortes e, sobretudo, encontrar equilíbrio competitivo. “Eu o ajudaria a entender o equilíbrio entre, talvez, aceitar jogar pior e ainda assim vencer. A coisa mais difícil no tênis é jogar nesse nível quando você só precisa jogar na média. Então, eu diria: sei que é bom ser brilhante, mas não tente ser brilhante. Tente ser melhor do que dizem que você é”, afirmou.
Fonseca no top 3 de Agassi
Ao falar sobre os jogadores de que mais gosta de assistir, Agassi incluiu João Fonseca em seu top 3, ao lado de Novak Djokovic e Roger Federer. “É impossível não gostar de assistir a jogadores dinâmicos em quadra, seja pela velocidade, seja pela capacidade de defesa”, disse.
A reconstrução de Agassi
Andre Agassi, um dos maiores nomes da história do tênis, afirmou na abertura da Expert XP 2026 que passou grande parte da vida encarando o esporte mais como um peso do que como uma paixão. Campeão de oito títulos de Grand Slam, o norte-americano contou que a relação difícil com o tênis começou ainda na infância, sob forte pressão do pai, que via no talento do filho uma chance de ascensão para a família.
“Na primeira página da minha biografia, eu admito: mesmo sendo bom no tênis, durante a infância e em grande parte da minha carreira profissional, eu nunca gostei de jogar”, disse. “Minha única opção para manter a paz era ganhar.” No painel, Agassi descreveu o impacto emocional dessa cobrança ao longo da trajetória. Segundo ele, sua identidade foi construída em torno da lógica da vitória e da derrota. “Minha infância foi incinerada. Minha identidade inteira se tornou ‘ganhar ou perder’. A única saída era ser bem-sucedido. E o medo pode ser um baita motivador”, afirmou.
Queda e reconstrução
Profissionalizado aos 16 anos, ele alcançou rapidamente a elite do circuito e conquistou seu primeiro Grand Slam em Wimbledon, em 1992. O sucesso, porém, não encerrou o conflito com o esporte. Em 1997, em meio à desilusão com o tênis e a dificuldades na vida pessoal, Agassi se afastou momentaneamente das quadras e caiu para a 141ª posição do ranking mundial.
Foi nesse período que, segundo ele, começou o processo de reconstrução. Com um empréstimo de US$ 40 milhões, deu início a um projeto educacional voltado a crianças de baixa renda e passou a enxergar a própria trajetória sob outra perspectiva. “Eu decidi que só porque não escolhi minha vida, isso não queria dizer que eu não pudesse assumir o controle dela”, contou.
Retorno e legado
O retorno ao circuito, em 1998, veio com uma mudança de postura. Agassi afirmou que, pela primeira vez, queria de fato estar em quadra — e que essa reconexão foi determinante para a reta final de sua carreira. “A principal diferença é que, quando voltei, eu queria estar lá. Me conectei com o que estava fazendo. Nada me distrairia dos meus resultados, dos meus desapontamentos ou até dos meus sucessos”, disse.
Entre 1998 e a aposentadoria, em 2006, o americano conquistou mais cinco títulos de Grand Slam, encerrando a trajetória em uma fase marcada por maturidade, resiliência e reconexão com o esporte. “Quando seu corpo está fraco, ele diz à sua mente o que fazer”, resumiu.



