Mariana Sena está em alta na televisão brasileira. Depois de passar por novelas das seis de sucesso, a atriz estreia em seu primeiro folhetim das nove com um papel que expõe uma ferida real de milhões de mulheres. Em 'Quem ama cuida', ela interpreta Elenice, uma mulher presa em uma relação marcada por manipulação e violência. O que muitos não sabem é que a atriz já viveu situação semelhante na vida real.
Atriz já viveu relacionamento abusivo
Em entrevista, Mariana revelou que já passou por um relacionamento abusivo, com manipulação psicológica e violência patrimonial. "A pessoa usufruía dos privilégios de ter uma companheira que trabalhava e, por isso, achava que não tinha que trabalhar", contou. Ela destacou que, mesmo tendo sido criada para ser independente, caiu nessa armadilha. "Esse é o ponto mais complexo de um relacionamento abusivo. A vítima não é culpada. São abusadores que conseguem encontrar em qualquer possibilidade uma maneira de controlar e manipular."
A importância da representatividade na novela
Para compor a personagem, Mariana não se baseou apenas em sua própria experiência. "Prometi que não ia me espelhar somente no meu modelo de relacionamento para fazer Elenice. Eu era jovem quando vivi isso, não tinha filha, não era dependente financeiramente. As preocupações da personagem são outras." Ela conversou com diversas mulheres que passaram por situações semelhantes. "Queria até que tivesse sido mais difícil encontrar mulheres passando por isso."
A recepção do público tem sido forte. "A pergunta unânime que ouço todo dia é: 'Quando essa mulher vai acordar? Quando ela vai dar um pé na bunda daquele cara?' Realmente, é difícil assistir. Mas é tanta coisa que permeia... O amor, a esperança de um relacionamento saudável, a ideia de manter uma família unida." Para Mariana, a responsabilidade maior é "tentar fazer as pessoas não perderem a empatia por ela".
Jovens mostram esperança
A atriz contou que a filha de Flávia Alessandra, Olívia, de 16 anos, assiste à novela e comenta: "Nossa, que triste ver essa mulher presa nessa relação". Mariana percebe que "a geração mais jovem é a que mais rápido consegue compreender que aquilo tá errado, que é difícil sair e que apoiam a Elenice, julgam mais o Tom do que ela. Ver que os jovens estão atentos me dá muita esperança no futuro."
O papel das amigas e da família
Na trama, a amiga Adriana tenta alertar Elenice. Mariana reflete sobre a dificuldade desse papel: "Chega uma hora que você se acha repetitiva. Esse tipo de relação isola a pessoa de todo mundo que a alerta." Ela ressalta a importância de não desistir: "Na vida é isso: as pessoas vão cansando. Da mesma maneira que o público cansa de ver na TV, as amizades na vida real avisam, e chega uma hora que abrem mão. Mas é muito importante que as amizades e a família não desistam."
A atriz revelou que foi salva por suas amigas e familiares: "Tenho um trio de parceiras que não me abandonam desde o 'dia 1': minha irmã e minhas primas: Juliana, Marcele e Bárbara. Foram elas que não me deixaram quando eu estava naquele relacionamento abusivo." A saída veio após uma intervenção: "Quando as mulheres da minha família fizeram uma 'reunião' comigo. Elas me falaram: 'Ou você termina ou a gente termina por você'. Aí que entendi o grau da situação e dei um ponto final."
Novos projetos: série e cinema
Além da novela, Mariana está na série 'Jogada de risco', onde interpreta a advogada Cris. "Cris é uma advogada determinada, ambiciosa e meio sem paciência. A parceria com o personagem do Cauã Reymond é quase um relacionamento. Eles não se pegam, mas têm 'tretinhas de casal'. Foi uma série divertida de fazer. As pessoas podem esperar muita energia. É quente e com sexo muito presente."
A maior dificuldade foi entender o universo do futebol. "Não assistia aos jogos nem na Copa do Mundo. Foi um processo entender o futebol desde o momento do gol até tudo o que acontece nos bastidores. Para você ter noção, eu não sabia a diferença do cartão amarelo para o vermelho! (risos). Até assisti à Copa e consegui apontar o que era impedimento ou falta."
Ela também vai estrear no filme 'Antártida', que será o filme de abertura do Festival de Gramado. "É um filme que também tem esse ponto de vista feminino muito forte. São cinco mulheres no elenco e quatro delas estão ali no isolamento da base militar e científica no meio da Antártida. A história é bem densa: no meio desse isolamento acontece um crime e o filme se desenvolve a partir dos diferentes pontos de vista."
Vida pessoal e maternidade
Mariana é casada com o ator Elzio Vieira e tem uma filha, Ayomi, de 2 anos. Sobre o casamento, ela brinca: "Tem dias que colocamos na agenda e que a gente se obriga a estar junto (risos). No meio do caos da maternidade e do trabalho, às vezes a gente esquece o relacionamento. Mas somos um casal jovem, cheio de energia, então temos nossos dias de dar nossas escapadas, ir a shows, festas."
Sobre a maternidade, ela diz: "A fase dos 2 anos é muito louca! É muito legal porque a criança dispara a falar, então você tem assuntos. Ao mesmo tempo, é uma fase que testa muitos limites. Falar 'não' é a mesma coisa que falar 'sim'. Ela tem um instinto radical, não tem medo de nada! Eu era essa criança que aprontava, então sei que ela puxou isso de mim!"
Ela também comentou sobre a dificuldade de voltar ao trabalho após a maternidade: "Ao voltar a trabalhar pós-maternidade, estava perdida. Não estava dando conta de nada além de gravar, não me sentia 100% em nada. Depois o tempo foi passando, a minha filha foi crescendo e fui conseguindo me enxergar mais como Mariana no mundo. Porque a maternidade tem um pouco disso: você esquece um pouco de você, fica tanto nas obrigações e no bem-estar do filho que esquece suas vontades ou interesses. Agora estou bem, consigo descansar e me dar limites."



