As atrizes que interpretam Elize Matsunaga em duas produções de streaming ganham destaque por retratar uma das criminosas mais emblemáticas do Brasil. Enquanto a Netflix aposta em um filme documental com reconstituições ficcionais, o Prime Video investiu em uma série dramática baseada em fatos reais. Ambas as obras exploram a vida de Elize, condenada pela morte do marido, o empresário Marcos Matsunaga, em 2012.
Netflix: filme mescla documentário e ficção
No filme da Netflix, a atriz escolhida para viver Elize é a paulista Juliana Carneiro da Cunha, conhecida por trabalhos em novelas da Globo. A produção, dirigida por João Jardim, combina entrevistas reais com a própria Elize, imagens de arquivo e cenas dramatizadas. Juliana aparece em sequências que reconstituem momentos-chave do relacionamento do casal e do crime. "Foi um desafio interpretar uma pessoa real, com toda a complexidade de seus atos", declarou a atriz em entrevista ao O Globo.
Prime Video: série ficcional foca na psicologia da personagem
Já o Prime Video optou por uma abordagem mais tradicional, com uma série de seis episódios estrelada pela atriz Letícia Colin. Ela já havia interpretado figuras reais, como a cantora Elis Regina, e mergulhou na história de Elize para compor a personagem. A série, intitulada "O Caso Elize Matsunaga", foi criada por Gustavo Lipsztein e busca entender as motivações que levaram a jovem a assassinar o marido. “Ela não é um monstro, é uma mulher que cometeu um crime brutal em um momento de desespero”, afirmou Letícia em coletiva de imprensa.
Atrizes enfrentam desafios éticos e emocionais
Interpretar uma assassina condenada a 19 anos de prisão exige cuidado para não glamorizar a violência. Ambas as atrizes relataram o peso de dar voz a alguém que causou tanta comoção nacional. “Não queria que o público saísse do cinema achando que ela é uma heroína. O crime foi real e as vítimas são a família”, disse Juliana. Letícia, por sua vez, ressaltou a importância de retratar a humanidade sem justificar o ato: “É um exercício de empatia, não de absolvição.”
Números do caso e repercussão
O crime ocorreu em maio de 2012, quando Elize, então com 29 anos, matou Marcos Matsunaga com um tiro na cabeça em um hotel no Rio de Janeiro. Ela foi condenada em 2016 a 19 anos e 11 meses de prisão, pena que já cumpriu parcialmente em regime semiaberto. As produções chegam em um momento de renovado interesse pelo caso, com o público brasileiro ávido por conteúdos true crime. Segundo a Netflix, o filme foi um dos mais assistidos no Brasil na semana de estreia.
Abordagens distintas atraem públicos diferentes
Enquanto o filme da Netflix é um docudrama que mescla realidade e ficção, a série do Prime Video é uma obra dramática com roteiro autorizado pela família de Elize. A produção de streaming da Amazon buscou autorização da ré para utilizar sua imagem e história, o que gerou polêmica. “Acho importante que a sociedade reflita sobre violência doméstica e saúde mental, mas não quero que isso sirva de entretenimento barato”, disse a advogada de Elize em nota.
As duas produções já estão disponíveis em suas respectivas plataformas e têm gerado debates nas redes sociais sobre a ética de transformar crimes reais em entretenimento. Independentemente das críticas, o trabalho das atrizes é unanimidade entre os especialistas: ambas entregam atuações que prendem a atenção e provocam reflexão.



