Henrique, ex-volante do Cruzeiro e ídolo da torcida celeste, trocou as chuteiras pela prancheta e hoje é auxiliar técnico do Guarani. Aos 39 anos, ele busca o primeiro grande título fora das quatro linhas: levar o clube de Campinas de volta à Série B do Campeonato Brasileiro.
Da visão de jogo à organização ofensiva
Na comissão técnica comandada por Elio Sizenando, Henrique tem função clara. Enquanto o treinador cuida da parte defensiva, o ex-jogador é responsável por montar os treinos ofensivos e as jogadas de bola parada. “Ele passa as tarefas para nós, para a gente montar os trabalhos. Ele fala dos objetivos de acordo com o adversário, do que quer construir. Aí eu elaboro, crio algumas coisas. Claro que a última palavra sempre é a dele”, explica Henrique.
O reconhecimento veio publicamente após a goleada por 5 a 0 sobre o Amazonas, quando Elio Sizenando fez questão de dividir os méritos: “Enaltecer o trabalho do Henrique, que faz a parte ofensiva e de bola parada. Eu fico mais com a parte defensiva e ele está cuidando da parte ofensiva.”
Carreira vitoriosa dentro de campo
Henrique passou 11 temporadas no Cruzeiro, conquistando dez títulos, entre eles dois Campeonatos Brasileiros e duas Copas do Brasil. O momento mais marcante foi o gol na final da Libertadores de 2009, contra o Estudiantes, no Mineirão lotado. “A gente era muito novo. Marcar um gol numa final, com o Mineirão lotado... você cria uma expectativa enorme. Acho que foi a primeira vez que realmente me decepcionei com uma derrota. Estava tão perto da gente. Foi uma derrota que me ensinou muito”, relembra.
Ele também jogou no Santos, realizando o sonho do pai santista, e conquistou o Campeonato Paulista de 2012 justamente contra o Guarani. “Eu tenho muita gratidão pela minha carreira. Eu olho para trás e vejo o quanto eu venci na vida. Não falo nem em questão de títulos. Mas como pessoa. De onde eu saí, do interior do Paraná, um menino sonhador. Vejo uma história com muita gratidão”, afirma.
Objetivo: acesso à Série B
Depois de mais de 20 anos dentro de campo, Henrique descobriu que ainda há espaço para escrever novos capítulos. Agora, como auxiliar, o foco é um só: o acesso. “Eu tento controlar a ansiedade. Mas o desejo é muito grande. Conquistar esse primeiro objetivo na carreira vai ser muito valioso para mim e para o clube”, conclui.



