Os Paralamas do Sucesso transformaram o palco principal do João Rock 2026, em Ribeirão Preto (SP), em uma viagem no tempo na noite deste sábado (1). Antes mesmo da entrada da banda, os telões exibiam imagens de diferentes décadas da carreira do trio, preparando o público para um repertório que atravessa mais de 40 anos de estrada. Quando Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone começaram a tocar, a resposta veio em coro: “Vital e Sua Moto” abriu o show com a plateia cantando cada verso, especialmente a passagem em que a letra original é adaptada ao festival — em vez de “iam tentar tocar na capital”, os fãs gritaram “vão tocar no festival”.
Ska e hits imediatos tomam conta do palco
Deixando o sucesso de 1983 para trás e avançando apenas um ano na cronologia do grupo, “Ska” estabeleceu de vez o clima da apresentação. Logo na sequência, “Lourinha Bombril” reforçou a energia e fez o público pular junto. A primeira interação de Herbert Vianna com a plateia aconteceu nesse momento: o vocalista agradeceu a multidão que lotava o espaço e perguntou se os nascidos nas décadas passadas se lembravam da canção “Sinais”. A pergunta, repetida várias vezes ao longo da noite, virou uma brincadeira entre o músico e os fãs.
Na sequência, o ritmo mudou para as canções mais românticas do repertório. “Cuide bem do seu amor” e “Aonde quer que eu vá” embalaram os casais presentes no festival, com direito a trecho a capella entoado pelo público e um solo de guitarra de Herbert Vianna. Sem sair do clima intimista, o vocalista pediu que os fãs acendessem as luzes dos celulares para “Lanterna dos Afogados”, e o pedido foi prontamente atendido: o palco se iluminou com milhares de pontos de luz.
Homenagens a Tim Maia e Gilberto Gil
A mudança de clima veio com outra leva de imagens no telão e com a entrada dos metais, que puxaram homenagens a dois gigantes da música brasileira. Com Tim Maia, a banda interpretou “Você”; com Gilberto Gil, apresentou “A novidade”, canção composta em parceria quando Herbert e Gil ainda eram adolescentes. Entre uma homenagem e outra, “O Beco” também fez a galera cantar com energia, mostrando a versatilidade do grupo em transitar do rock ao ska e à MPB.
O desfile de sucessos continuou com “Melô do Marinheiro”, “Alagados”, “Uma brasileira” e “Óculos”. Antes de cada uma, Herbert Vianna voltou a provocar a plateia com a pergunta: “será que alguém lembra?”, como se fosse possível esquecer canções que marcaram gerações. O público respondeu cantando do início ao fim, confirmando a força do repertório da banda, que segue relevante para públicos de todas as idades.
João Barone encerra com bateria explosiva
A apresentação contou ainda com o habitual vigor de João Barone na bateria. Em um dos momentos mais celebrados da noite, o baterista “quebrou tudo” em um solo que levantou ainda mais o público. A performance, registrada pelo fotógrafo Érico Andrade/g1, ficou entre as imagens mais marcantes do festival.
O show dos Paralamas do Sucesso no João Rock 2026, portanto, não foi apenas um passeio por velhos hits. Foi uma demonstração de como a banda construiu uma ponte entre o rock dos anos 1980 e o público contemporâneo, em uma noite que uniu nostalgia, homenagens e muita energia no interior de São Paulo. A cobertura completa do g1 Ribeirão e Franca destacou ainda outras atrações do festival, como Alceu Valença, Marina Sena e Luedji Luna, em um line-up que celebrou a diversidade musical brasileira.



