BaianaSystem agita João Rock 2026 com rodas e protestos contra Trump
BaianaSystem leva rodas e protestos ao João Rock 2026

A noite deste sábado (1º) no Palco João Rock, em Ribeirão Preto (SP), começou com 18 minutos de atraso para o público que aguardava o BaianaSystem. O público, que lotava o espaço, não pareceu se importar com o atraso. A espera, no entanto, foi compensada por uma abertura visual que já estabelecia o clima do show: uma linha do tempo de acontecimentos históricos, passando pela Revolução Cubana, pela inauguração de Brasília e pelo golpe militar brasileiro. Antes do primeiro acorde, a frase “Eu não vou sucumbir” apareceu no telão, dando o tom de resistência que atravessaria toda a apresentação.

Aquela foi a quarta vez que o grupo levou a guitarra baiana ao João Rock, e a fórmula de sempre voltou a funcionar: uma multidão levantando poeira ao som de uma mistura de afro rock, dub e ritmos afro-brasileiros e caribenhos. O repertório começou com o rapper BNegão, convidado especial que dividiu o palco com o vocalista Russo Passapusso na faixa “Reza Forte”. Na sequência, o grupo apresentou “Capim Guiné”, que trouxe a performance de Elivan Conceição, conhecido pela interpretação de “Saci”. O público cantou junto do início ao fim.

Rodas de bate-cabeça e protestos

Russo Passapusso não economizou na interação com o público. Trazendo a essência do Navio Pirata, bloco que arrasta multidões no Carnaval de Salvador e em desfiles de rua pelo país, ele chamou o público para abrir grandes rodas de bate-cabeça. Antes de uma delas, o vocalista entoou: “Na minha roda não entra fascista, não entra machista”. A fala foi recebida com euforia e virou um dos momentos mais comentados da apresentação. Muitos fãs correram para o centro da pista para participar da roda.

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O protesto não parou por aí. Russo também direcionou uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gritando “Donald Trump aqui não”, em referência à interferência externa na política brasileira. A declaração reforçou o caráter engajado do show, que misturou música e ativismo do início ao fim. A plateia respondeu com mais gritos.

Convidados especiais e o trio de metais feminino

Além de BNegão, o show contou com o rapper e compositor baiano Vandal, que subiu ao palco para cantar duas faixas. Claudia Manzo também marcou presença, chamando o público com o sucesso “Agulha”, do último álbum do grupo, “O Mundo Dá Voltas” (2025), que venceu o Grammy Latino de 2025. A lista de participações especiais reforçou a diversidade sonora do BaianaSystem.

No centro do palco, a guitarra baiana de Roberto Barreto dividiu o protagonismo com um trio de metais formado exclusivamente por mulheres: Nicole Silva (trompete), Rosa Denise (trombone) e Mayara Almeida (saxofone). As musicistas vieram à frente do palco em diversos momentos e foram as responsáveis por puxar a faixa “Lucro (Descomprimido)”. O público respondeu com entusiasmo, e o hit “Sulamericano” também arrancou gritos e coros da plateia.

Formação e encerramento com sucessos

A formação da banda para a noite contou com Junix na guitarra, Sekobass no baixo, Ubiratan Marques nos teclados, Jean Michel na bateria e João Meirelles nos sintetizadores. Juntos, eles garantiram a base para as experimentações que levaram a plateia a um estado de celebração constante.

O encerramento foi reservado aos sucessos consagrados “Miçanga” e “Balacobaco”, esta última originalmente lançada com a participação de Anitta e Alice Carvalho. A escolha dos últimos acordes confirmou a conexão do BaianaSystem com o público do João Rock, que já conhecia de cor as canções e acompanhou cada verso até o fim.

A quarta passagem do grupo pelo festival reafirmou a capacidade do BaianaSystem de transformar o palco em um espaço de celebração e ativismo, e o show deste sábado ficará na memória dos fãs como um dos mais intensos da história do evento.

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