A paixão de Nelson Maximino, de 38 anos, pelo Charlie Brown Jr. nasceu ainda na adolescência. Mais de duas décadas depois, o gosto pelas músicas da banda virou um elo entre gerações da família e será celebrado ao lado do filho mais velho, Pedro Henrique, de 18 anos, neste sábado (1º), em Ribeirão Preto (SP). Ao lado do pai e da mãe, pela primeira vez, Pedro Henrique participa do festival João Rock, um dos maiores do Brasil, e vai curtir o show da banda favorita da família. Os guitarristas Marcão Britto e Thiago Castanho, remanescentes da formação original, sobem ao palco para uma homenagem que revisita sucessos do álbum “Acústico MTV: Charlie Brown Jr”.
Uma paixão que atravessa gerações
Nelson relata que comprou os ingressos sem saber que a banda iria tocar, e que quando foi anunciado foi uma grande surpresa. "A gente comprou o ingresso bem no começo e a gente ficou na expectativa de quem ia tocar. E não é que o Charlie Brown Jr. vai apresentar. A gente está muito empolgado, e é o acústico que ainda vai tocar, vai ser a primeira vez que a gente vai ver pessoalmente." O festival João Rock 2026 promete 12 horas de shows para 65 mil pessoas.
Uma tradição familiar
Para Nelson, a experiência representa a oportunidade de dividir com os filhos uma paixão que o acompanha há anos e que hoje faz parte da rotina dentro de casa. "Eu era solteiro ainda quando conheci o Charlie Brown, e as letras são demais, não tem nem comparação. Eu tenho dois filhos, e a tradição foi passada de pai para filho", conta Nelson. A admiração pela banda e pelo rock surgiram em uma casa em que o pai e o avô dele tinham preferências por outro estilo musical. "Meu avô era da moda de viola, daí passou para o meu pai e era só isso que eles gostavam. Mas na adolescência, eu comecei a escutar rock."
Uma coleção de recordações
CDs originais, na época em que a pirataria dominou o país nos anos 2000, e diferentes acessórios fazem parte da coleção do fã. "Eu tinha todos os CDs originais: ‘Preço Curto… Prazo Longo’, ‘Nadando com os Tubarões’, ‘Transpiração Contínua Prolongada’, eu tinha todos. Tanto é que a capinha do meu celular é do Charlie Brown, o tênis, o boné, tudo do Charlie Brown". Nelson diz que é difícil escolher apenas uma música favorita da banda. "São várias, muitas músicas. Tem ‘Vícios e Virtudes’, ‘Papo Reto’. Nossa, são muitas."
O rock como ritual em casa
A música na casa de Nelson é considerada algo sagrado. Segundo ele, o Charlie Brown Jr. sempre esteve presente nos momentos em família e fins de semana, ouvir rock é praticamente um ritual. "A gente gosta muito de rock. Às vezes vamos para os rolês, mas muitos finais de semana a gente fica em casa. Daí cada um escolhe uma música e a gente vai tomando alguma coisinha, vai beliscando alguma coisa, escutando muito rock", diz. O gosto pela música acabou sendo transmitido naturalmente aos filhos. Pedro Henrique integra a banda Alma Noturna como baixista. Para Nelson, existe até uma coincidência especial envolvendo o filho. "Ele tem uma banda, toca baixo. Ele faz aniversário dia 16 de junho, o mesmo dia que o Champignon fazia aniversário, que era baixista também, e ele é muito fã do Charlie Brown, principalmente do Champignon."
Um presente de aniversário inesquecível
Moradores de Porto Ferreira (SP), Nelson e a esposa, Jéssica de Oliveira Maximino, frequentam o festival João Rock há três anos. Como o filho Pedro ainda tinha 16 anos e, por regra do festival, não poderia participar por ser menor de idade, o pai prometeu que o levaria ao João Rock quando ele fizesse 18 anos. O ingresso é um presente de aniversário. E justamente no ano em que Pedro ganhou o ingresso, o show do Charlie Brown Jr. foi confirmado no line-up. A apresentação promete ser inesquecível na vida dele e dos pais. No palco, além de Marcão Britto e Thiago Castanho, estarão Marcelo Nova e Negra Li, figuras que ajudaram a consolidar canções como “Hoje” e “Não é Sério”, respectivamente, em hits nacionais ao lado de Chorão, em 2003, no álbum “Acústico MTV: Charlie Brown Jr.". "Ele não está se contendo de alegria para ir no João Rock, ele está ansioso demais", diz Nelson. O pai espera que a primeira experiência do filho no festival seja uma lembrança para a vida toda. "Cara, isso daí ele vai levar para a vida. Eu acho que é um negócio que não tem nem como explicar. Você vê, a gente depois de velho, a sensação que a gente teve de estar num festival. Imagina ele, como vai ser poder ir aos 18 anos". Agora, quem também cria expectativa é o filho mais novo, de 10 anos. Quando completar 18, também espera ir ao João Rock com os pais. "Ele já está nesse comentário. Quando ele fizer 18 anos, o primeiro João Rock vai ser com a gente."



