O escritor pernambucano Raimundo Carrero, um dos fundadores do movimento literário Perna Cabeluda, morreu nesta quarta-feira (16) no Recife, aos 78 anos. A informação foi confirmada pela família do autor, que não divulgou a causa da morte.
Trajetória literária
Nascido em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, em 1948, Carrero mudou-se ainda jovem para o Recife, onde iniciou sua carreira literária. Ele foi um dos criadores do movimento Perna Cabeluda, que revolucionou a literatura pernambucana nos anos 1970, ao lado de nomes como Alberto da Cunha Melo e Ronaldo Lima Lins. O movimento buscava uma linguagem mais livre e experimental, rompendo com os padrões tradicionais.
Ao longo de sua carreira, Carrero publicou mais de 20 livros, entre romances, contos e ensaios. Entre suas obras mais conhecidas estão "A História de Bernarda Soledade", "A Viagem do Leão" e "O Amor Não Tem Bandeira". Seu estilo era marcado por uma prosa poética e pela abordagem de temas como a vida no sertão, as relações humanas e as questões sociais do Nordeste.
Reconhecimento e legado
Raimundo Carrero recebeu diversos prêmios ao longo da vida, incluindo o Prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira. Sua obra também foi traduzida para vários idiomas, como inglês, francês e espanhol, levando a literatura pernambucana para o exterior.
O escritor era membro da Academia Pernambucana de Letras e ocupava a cadeira de número 12. Sua morte representa uma grande perda para a cultura brasileira, especialmente para a literatura nordestina. O velório ocorrerá no Recife, em local a ser definido pela família.
Repercussão
Nas redes sociais, artistas, escritores e admiradores prestaram homenagens a Carrero. O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, lamentou a morte do escritor em nota oficial, destacando sua contribuição para a cultura do estado. "Raimundo Carrero foi um dos grandes nomes da nossa literatura, um homem que dedicou a vida às letras e deixou um legado imenso para as futuras gerações", afirmou.
A Biblioteca Pública de Pernambuco também divulgou uma nota de pesar, ressaltando que Carrero era um frequentador assíduo do local e um incentivador da leitura. "Sua obra permanecerá viva em nossas estantes e nos corações dos leitores", declarou a instituição.



