O romance de estreia 'Ressalga', de Bethânia Pires Amaro, é um dos destaques da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A obra dá voz a trabalhadoras sexuais retratadas em 1966 a pedido de Jorge Amado, em um projeto fotográfico de Flávio Damm que foi engavetado pela repressão da ditadura militar. As imagens só foram reveladas ao público em 2018.
Projeto fotográfico censurado pela ditadura
Em 1966, Jorge Amado encomendou ao fotógrafo Flávio Damm um registro das trabalhadoras sexuais da Ladeira da Montanha, em Salvador. O projeto, no entanto, foi arquivado devido à repressão do regime militar. As fotografias permaneceram inéditas por mais de 50 anos, até serem expostas em 2018. A autora Bethânia Pires Amaro se inspirou nesse material para construir a narrativa de 'Ressalga'.
'Ressalga': ficção e história se entrelaçam
O livro acompanha três gerações de mulheres na Bahia, misturando ficção com fatos históricos marcantes do século XX. A trama se passa na Ladeira da Montanha, um local simbólico para o trabalho sexual em Salvador. A autora afirma que a obra busca preencher uma lacuna na historiografia oficial, que frequentemente apaga a participação feminina. 'A história das mulheres é contada por terceiros; eu quis dar a elas a própria voz', declarou Bethânia em entrevista.
Participação na Flip e debate sobre memória
Bethânia Pires Amaro divide a mesa na Flip com a escritora Nathacha Appanah, autora de 'O Paraíso e o Inferno'. O evento ocorre no dia 28 de novembro. A obra de Bethânia já é considerada um resgate importante da memória das trabalhadoras sexuais e da resistência feminina durante a ditadura. A Flip, que acontece entre 27 de novembro e 1º de dezembro, terá como tema 'Memórias do Futuro', reforçando o debate sobre o apagamento histórico.



