Setenta anos após a publicação de 'Grande sertão: veredas', obra-prima de João Guimarães Rosa, expedições realizadas no interior do Brasil revelam que as paisagens humanas e naturais descritas no livro permanecem notavelmente fiéis à narrativa. O sociólogo Theo Kieckbusch, de 38 anos, que participou de uma dessas expedições, afirma que a obra é 'um antídoto para a urbanidade tóxica, na qual muitos de nós vivemos'.
Expedições 'Caminhos de Rosa'
A expedição 'Caminhos de Rosa', organizada por André Ferreira, percorre os cenários do romance, documentando a geografia e as comunidades que inspiraram o autor mineiro. As imagens registradas mostram que a vegetação, os rios e até mesmo o modo de vida dos moradores locais guardam forte semelhança com as descrições rosianas.
Kieckbusch, que também é pesquisador, destaca a importância de revisitar esses locais: 'O sertão de Rosa não é apenas um espaço geográfico, mas uma metáfora da condição humana. Ver que essas paisagens ainda existem nos conecta com a obra de forma visceral.'
Impacto cultural e ambiental
O livro, publicado em 1956, é considerado um dos marcos da literatura brasileira e mundial. A fidelidade das paisagens ao texto original reforça o valor do sertão como patrimônio cultural e natural. Para Kieckbusch, a experiência de campo confirma que a obra de Guimarães Rosa continua atual: 'A natureza descrita por ele não é idealizada; é real, e isso nos faz refletir sobre nossa relação com o meio ambiente.'
As expedições também ressaltam a importância de preservar essas regiões, ameaçadas pelo avanço do agronegócio e das queimadas. 'Cada árvore, cada vereda que encontramos é um capítulo vivo do livro', conclui o sociólogo.



