Por Suzana Barelli
13/06/2026 | 11h00
São poucas as comparações possíveis entre vinho e futebol. Ano de Copa não é necessariamente sinônimo de boa safra. Mas podemos afirmar, sem qualquer fundamento científico, que para ser campeão do mundo é preciso ser um país com vocação vitivinícola.
Das oito seleções que já levantaram a taça, todas são reconhecidas pelos seus vinhos, a começar pela Itália, atualmente o maior produtor mundial, que mesmo fora da competição este ano, já conquistou quatro Copas do Mundo. A França, berço do vinho moderno, venceu as competições de 1998 e de 2018. A Alemanha tem quatro copas no currículo, seguido pelos nossos vizinhos argentinos (três títulos) e pelo Uruguai, com dois.
Espanha e Inglaterra têm, cada país, um título mundial. Aqui, talvez os ingleses, campeões em 1966, sejam os menos conhecidos pelos seus vinhos. Mas as mudanças climáticas fazem muito bem à produção local e atualmente o país pode se orgulhar da qualidade dos seus espumantes. São elaborados ao sul da Inglaterra e com um solo que lembra muito o de Champanhe (e com preços também semelhantes ao dos mais nobres espumantes franceses).
No Brasil, com os nossos cinco títulos mundiais, é a produção de espumantes que primeiro se destaca. E que inspira às comparações com os demais países em campo. Nesta primeira fase, o grupo do Brasil traz poucos embates com os vinhos. Entre as quatro seleções, somos os maiores produtores de vinho, com 2,8 milhões de hectolitros, incluindo vinhos de mesa, fino e espumantes. Marrocos, nosso primeiro adversário, é o único que também elabora vinhos em escala comercial. A Escócia, como se pode imaginar, tem muito mais relevância com os seus uísques, e não há maiores registros do Haiti com os brancos e tintos.
No norte da África, Marrocos tem sua tradição vinícola desde a Antiguidade e o cultivo das videiras acontece mesmo com o país seguindo as tradições muçulmanas. Marrocos é atualmente o segundo maior produtor de vinhos do continente, atrás apenas da África do Sul. O país vive um ressurgimento dos seus vinhos, principalmente na região de Meknès, com investimento estrangeiro nas vinícolas e o interesse dos turistas que visitam o país pelos seus brancos e tintos.
Um exemplo é um vinho que, inclusive, está disponível no Brasil – o Domaine Ouled Thaleb Syrah du Marroc, vendido por R$ 213, na World Wine. É um tinto feito apenas com a syrah e que ganhou fama por ser elaborado em parceria com o produtor francês Alain Graillot (1944-2022), que ganhou fama por revolucionar os vinhos de Crozes-Hermitage, no Rhône.
Agora é torcer para brindarmos com um espumante brasileiro a conquista do hexa.



