Duas exposições em São Paulo revelam como os signos do candomblé inspiraram a obra geométrica de Mestre Didi e Rubem Valentim. Os artistas incorporaram influências religiosas locais às referências estrangeiras que moldaram a produção brasileira da segunda metade do século XX.
A influência do candomblé na arte geométrica
Mestre Didi, sacerdote e artista, utilizou símbolos sagrados do candomblé em suas esculturas e objetos. Sua obra dialoga com a geometria abstrata, mas mantém raízes profundas na cultura afro-brasileira. Já Rubem Valentim, conhecido por suas formas geométricas coloridas, também incorporou elementos dos orixás em suas composições.
Exposição no Itaú Cultural
A mostra no Itaú Cultural apresenta um panorama da trajetória de Mestre Didi, com peças que mesclam arte e religiosidade. Montada inicialmente no Museo del Barrio, em Nova York, a exposição chegou a São Paulo com obras que destacam a riqueza simbólica do candomblé.
- Esculturas em madeira e metal com referências a Oxalá e Iemanjá
- Objetos rituais transformados em arte contemporânea
- Registros fotográficos do processo criativo do artista
Rubem Valentim e a geometria sagrada
Rubem Valentim, por sua vez, criou uma linguagem visual única ao unir a abstração geométrica com símbolos do candomblé. Suas obras, como serigrafias e pinturas, utilizam cores vibrantes e formas que remetem aos ferramentas dos orixás.
- Uso de padrões rítmicos inspirados em atabaques
- Cores que representam divindades como Xangô e Ogum
- Composições que evocam altares e espaços sagrados
Legado e reconhecimento
Ambos os artistas são fundamentais para entender a arte brasileira do século XX. Suas obras mostram como a cultura afro-brasileira pode dialogar com movimentos internacionais, como o concretismo e o neoconcretismo. As exposições reforçam a importância de valorizar essas influências na produção artística nacional.



