A Catedral de Notre Dame, em Paris, anunciou que seis novos vitrais contemporâneos, criados pela artista francesa Claire Tabouret, serão instalados entre outubro e novembro deste ano. As obras, que já estão 70% concluídas, fazem parte do processo de restauração do templo após o incêndio de 2019.
Arte contemporânea gera controvérsia
A decisão de substituir parte dos vitrais originais por obras modernas gerou controvérsia entre defensores do patrimônio histórico. Críticos argumentam que a introdução de arte contemporânea em um monumento gótico do século XII desrespeita a integridade estética e histórica da catedral. O financiamento pelo Estado Francês também foi alvo de questionamentos, com alguns setores defendendo que os recursos deveriam ser direcionados exclusivamente à reconstrução fiel do edifício.
Processo de criação e instalação
Os vitrais estão sendo produzidos nas oficinas da Simon-Marq, uma empresa familiar centenária de mestres vidreiros localizada em Reims, no nordeste da França. A empresa, que já trabalhou em outras restaurações de monumentos históricos, utiliza técnicas tradicionais combinadas com o design moderno de Tabouret. Cada vitral mede aproximadamente 4 metros de altura e será instalado nas capelas laterais do coro da catedral.
Claire Tabouret, conhecida por suas obras que exploram a figura humana e a luz, venceu um concurso internacional organizado pelo governo francês para selecionar o artista responsável pelos novos vitrais. Em entrevista, Tabouret afirmou: "É uma honra imensa contribuir para a história de Notre Dame. Espero que meus vitrais dialoguem com a luz e a espiritualidade do espaço, criando uma ponte entre o passado e o presente."
Impacto e cronograma
A instalação dos vitrais está prevista para ocorrer entre outubro e novembro, antes da reabertura total da catedral ao público, programada para 2024. A restauração completa de Notre Dame, incluindo a reconstrução da agulha e do telhado, já consumiu mais de 840 milhões de euros em doações. A polêmica em torno dos vitrais, no entanto, não diminuiu o entusiasmo das autoridades. O ministro da Cultura francês, em comunicado, declarou: "A arte contemporânea tem seu lugar em Notre Dame. Esses vitrais representam a continuidade da criação artística e a vitalidade da cultura francesa."



