Noitada de Reinaldo Moraes: sexo a três, deboche e citações cultas e pop marcam evento
Noitada de Reinaldo Moraes: sexo, deboche e cultura pop

O escritor Reinaldo Moraes protagonizou uma noitada inesquecível em São Paulo, na última terça-feira, 14 de julho de 2026, no Teatro do Sesc Consolação. O evento, que começou às 20h e se estendeu até a madrugada, reuniu cerca de 200 pessoas entre fãs, críticos literários e curiosos. A noite foi marcada por uma mistura de sexo a três, deboche afiado e citações que transitavam do erudito ao pop, consolidando a reputação do autor como um dos mais irreverentes da literatura brasileira contemporânea.

Um espetáculo de improviso e provocação

Moraes, conhecido por obras como 'Pornopopéia' e 'O cheiro do ralo', não seguiu roteiro. Subiu ao palco com um microfone sem fio e, durante duas horas, discorreu sobre temas que vão da política à sexualidade, sempre com humor ácido. Ele leu trechos de seus livros, mas a maior parte do tempo foi dedicada a improvisos. Em um dos momentos mais comentados, simulou uma cena de sexo a três com dois voluntários da plateia, gerando risos e aplausos. 'A literatura tem que incomodar, tem que sujar as mãos', disse Moraes, segundo relato de um participante.

Citações cultas e pop em sintonia

O escritor fez questão de mesclar referências eruditas, como citações a Clarice Lispector e James Joyce, com elementos da cultura pop, como letras de funk e memes da internet. 'Ele citou Lacan e logo depois imitou um personagem do YouTube. Foi surreal', comentou a estudante de letras Marina Duarte, 22 anos, que estava na primeira fila. A noitada também incluiu um debate sobre o papel do deboche na literatura brasileira, mediado pela jornalista Paula Carvalho. Segundo ela, 'Reinaldo mostrou que o deboche é uma ferramenta política tão potente quanto o discurso sério'.

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Impacto e repercussão

O evento, intitulado 'Noitada Profana', foi organizado pela editora Companhia das Letras e faz parte de uma série de lançamentos do novo livro de Moraes, 'O gozo da palavra', previsto para setembro. A editora informou que 80% dos ingressos foram vendidos antecipadamente, e a lotação máxima foi atingida. Nas redes sociais, a hashtag #NoitadaProfana chegou aos trending topics do Twitter por cerca de três horas, com mais de 15 mil menções. Críticos literários, como o colunista da Folha de S.Paulo, Miguel Santos, classificaram a noite como 'um marco na cena literária paulistana, que mescla entretenimento e reflexão'. Por outro lado, alguns setores mais conservadores repudiaram o teor sexual explícito. A Associação de Pais e Mestres de uma escola particular da capital chegou a emitir nota de repúdio, mas sem grande repercussão.

O estilo irreverente de Moraes

Reinaldo Moraes, de 58 anos, é conhecido por desafiar convenções. Em entrevista recente ao jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou: 'A arte não tem que pedir licença. Se incomoda, é porque está viva.' A noitada no Sesc Consolação reforça essa postura. Além da performance, houve venda de livros autografados e uma sessão de fotos com o autor. A fila para o autógrafo se estendeu por mais de uma hora. 'Ele é um dos poucos escritores que realmente dialogam com o público jovem sem se rebaixar', opinou o professor de literatura da USP, Carlos Alberto de Oliveira, presente no evento.

Próximos passos

A editora já anunciou que novas noitadas estão programadas para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte, em agosto e setembro, respectivamente. Os ingressos para a capital fluminense esgotaram em menos de 24 horas. Resta saber se o sucesso do formato se repetirá em outras praças. Por enquanto, Moraes comemora: 'Se depender de mim, vou levar essa bagunça para o Brasil inteiro.'

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