Márcio Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina e compositor de mais de duzentas obras, tornou-se o mais novo imortal da Academia Mineira de Letras (AML). A posse ocorreu neste sábado (11) no bairro de Lourdes, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde ele ocupou a cadeira de número 29, vaga desde a morte do escritor e jurista José Fernandes Filho em outubro do ano passado.
Discurso de posse e recepção
“É o dia que consagra a minha sobrevivência. Eu acho que eu consegui atravessar as piores páginas da minha própria vida, da vida do Brasil, consegui com isso trazer uma obra que hoje tá sendo reconhecida. Ainda vou me acostumar. Estou aqui meio ainda aquele menino chegando na casa nova”, disse Márcio Borges à TV Globo. Ele foi recebido por outros imortais, entre eles amigos, e assinou pela primeira vez o livro de presença. Depois, posou para a foto oficial da galeria histórica.
“É um privilégio, é uma grande honra receber o Marcinho aqui, aqui na Academia, que é um amigo de muitos anos atrás, mas que é uma figura importante na vida cultural de Minas Gerais e do Brasil”, afirmou Amilcar Vianna, ocupante da cadeira de número 4 da AML.
Quem é Márcio Borges
Márcio Borges, de 80 anos, é compositor, escritor e irmão de Lô Borges, falecido no final do ano passado. Sua obra inclui mais de duzentas composições musicais, gravadas por nomes como Elis Regina e Milton Nascimento, além de poesias e roteiros musicais. Entre seus livros, “Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina” está na décima terceira edição. Ele também é autor de obras infantojuvenis, da coletânea “Clube da Esquina – 40 Anos” e do livro “Cartas da Humanidade”. Traduziu “Blackbird Singing”, de Paul McCartney, e lançou, como coautor, “De Tudo se Faz Canção”. Atualmente, prepara dois livros inéditos: “Oito Canoas para o Céu – O Santo do Sertão” e “Discursos do Eu Inferior”.
Processo de eleição
A cadeira 29 estava vazia desde outubro do ano passado, quando o escritor e jurista José Fernandes Filho morreu. O novo imortal foi escolhido por votação. Os acadêmicos analisaram a trajetória de 12 candidatos. De 34 votos, 32 foram para Márcio Borges. O resultado foi divulgado em janeiro deste ano.
Novo perfil de imortal
Para Jacyntho Lins Brandão, presidente da Academia Mineira de Letras, a posse de Márcio inaugura um novo perfil de imortal. Ele relembrou que, quando Henriqueta Lisboa e Maria José de Queiroz ocuparam cadeiras na AML, era uma grande novidade ter mulheres naquele espaço. “Mais recentemente, o Ailton Krenak, o primeiro escritor indígena na academia. E, em seguida, Conceição Evaristo, a primeira escritora negra na academia. Hoje, que nós recebemos um letrista, é um dado muito importante, porque a escrita muda o processo natural da linguagem, que é da boca para o ouvido. Quando a gente escreve, emudece a língua. Mas quem compõe como ele, não perde essa relação da escrita com a fala”, explicou Brandão.



