Waldirene Nogueira, primeira mulher trans do Brasil a passar por uma cirurgia de redesignação sexual, morreu aos 80 anos. Natural de Lins (SP), ela faleceu em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, em decorrência de insuficiência respiratória aguda. A informação foi confirmada pela família.
Segundo Alessandra Cotrim, sobrinha de Waldirene, ela vivia acamada em Ubatuba, sob os cuidados de um dos irmãos. O corpo será levado para Lins, onde será velado na manhã desta quarta-feira (20), a partir das 7h, no Memorial Santa Izabel. O enterro está previsto para as 17h, no Cemitério da Saudade.
Nascida em 1945, Waldirene foi registrada ao nascer como Waldir Nogueira. Em 1969, começou a ser acompanhada pela endocrinologista Dorina Epps, no Hospital das Clínicas de São Paulo. Após dois anos de avaliações médicas e psicológicas, recebeu o laudo que reconhecia sua transexualidade.
A cirurgia de redesignação sexual foi realizada em dezembro de 1971, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, pelo cirurgião plástico Roberto Farina. O procedimento é considerado o primeiro do tipo realizado no Brasil. Após a operação, Waldirene enfrentou uma longa batalha judicial ao tentar alterar seus documentos.
Em 1976, ela foi levada de forma coercitiva ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exames invasivos e foi fotografada nua. O pedido de alteração do nome foi negado inicialmente, e ela permaneceu registrada como Waldir por décadas. A retificação na certidão de nascimento só ocorreu em 2010, quando tinha 65 anos. O novo RG foi emitido em 2011.
Formada em contabilidade, nunca exerceu a profissão por causa da divergência entre sua identidade e os documentos civis. Ao longo da vida, trabalhou como manicure e viveu de forma discreta.



