No Dia Nacional do Bumba Meu Boi, celebrado em 30 de junho, a tradição do Bumba Meu Boi Imperador da Ilha ganha um significado especial para a família de José Rayan. Há gerações, pais, filhos, netos e bisnetos participam do grupo e ajudam a manter viva a manifestação cultural. Em vídeo divulgado pelo grupo, Dom Riba, avô de José Rayan, conta que o neto era levado nos braços para os encontros e apresentações desde bebê. Quando começou a caminhar, passou a participar das atividades do boi, dando continuidade a uma tradição familiar que chega à terceira geração.
Início precoce na brincadeira
José Rayan começou a frequentar as atividades do grupo aos seis meses de vida, ainda nos braços da mãe, Rayanne Araújo. Aos 4 anos, já participa da brincadeira como vaqueiro, função escolhida por causa de uma promessa feita por Rayanne a São João. "Quando começou a caminhar, só intensificou esse amor, sempre dançando à frente do boi e desempenhando a função do personagem que ele é dentro do grupo, o vaqueiro", contou Rayanne.
História do Bumba Meu Boi Imperador da Ilha
Fundado em 1º de maio de 1934, no bairro Piçarra, em Teresina, o Bumba Meu Boi Imperador da Ilha reúne 92 anos de história ligados à cultura popular piauiense. Ao longo das décadas, o Imperador da Ilha passou por diferentes gerações e sedes, mantendo viva a tradição do Bumba Meu Boi no estado. Sob a liderança do mestre Antônio Araújo, o grupo consolidou sua trajetória e conquistou reconhecimento. Posteriormente, a condução do boi passou para Raimundo Araújo, que atualmente divide a missão de preservar o legado cultural com o filho, Fábio Araújo.
O papel do avô na transmissão da cultura
A relação de Dom Riba com o Bumba Meu Boi também começou cedo. Hoje com 72 anos, ele ingressou na brincadeira aos 12 anos de idade, no Boi Mimo do Povo, no bairro Piçarra. Mais tarde, passou a integrar o Imperador da Ilha, onde atuou como miolo, personagem responsável por dar vida ao boi, conquistando títulos para o grupo. Além de ter integrado a diretoria, Dom Riba continua contribuindo para a formação de novos brincantes por meio dos ensinamentos repassados às gerações mais jovens.
Família e comunidade unidas pela tradição
"É o alicerce da nossa família, uma herança deixada pelo nosso patriarca Antônio Araújo, que passou todo o seu amor e legado a todos nós. Temos esse sentimento de missão, que é continuar com a tradição do nosso boi", afirmou Rayanne ao g1. Segundo ela, o grupo também desempenha um papel social importante na comunidade. Além das atividades culturais, a sede abriga aulas de capoeira, reuniões em parceria com Alcoólicos Anônimos (AA) e ações de atendimento à população realizadas por equipes de saúde, especialmente voltadas aos idosos.



