Luiz Carlos Barreto, um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, morreu aos 98 anos nesta terça-feira (22). Em entrevista ao 'Conversa com Bial', ele afirmou que o sucesso do setor nas décadas de 1970 e 1980 foi resultado de uma política de incentivo à produção nacional. Na conversa, também criticou a paralisação da Ancine e analisou os desafios contemporâneos do audiovisual.
Exportar filmes brasileiros para dentro do Brasil
Na atração da TV Globo, o cineasta conhecido como 'Barretão' abordou momentos decisivos da história do cinema brasileiro, relembrou o período da Embrafilme, comentou a produção cultural durante a ditadura militar e refletiu sobre os desafios enfrentados pelo setor nos últimos anos. Ao recordar o papel da Embrafilme no fortalecimento da indústria audiovisual, Barretão resumiu sua visão sobre o desafio histórico do setor em uma frase que se tornou um dos destaques da entrevista a Pedro Bial: 'Nós precisamos exportar filme brasileiro para dentro do Brasil'. Segundo ele, mais importante do que buscar espaço no exterior era criar condições para que as produções nacionais chegassem ao público brasileiro.
Recordes de público e política de fortalecimento
Ao lembrar o período em que o cinema nacional alcançou recordes de público e chegou a representar cerca de 42% do mercado, Barreto atribuiu o desempenho a uma estratégia de fortalecimento da produção brasileira. 'Foi fruto de uma política', afirmou. Ele citou ainda produções como 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', dirigido por Bruno Barreto, e afirmou que a indústria audiovisual deve ser capaz de produzir tanto grandes sucessos de bilheteria quanto filmes de médio porte. Segundo ele, essas obras são fundamentais para renovar a linguagem cinematográfica, ampliar a diversidade da produção e conquistar novos públicos.
Ditadura militar e políticas culturais
Barreto também relembrou o período da ditadura militar e contestou a ideia de que houve uma única política cultural ao longo dos mais de 20 anos do regime. Segundo ele, diferentes governos adotaram posturas distintas em relação ao cinema, o que permitiu momentos de maior apoio à produção audiovisual brasileira.
Críticas à paralisação da Ancine e desafios recentes
Em outro momento da entrevista, o produtor avaliou a situação do setor nos anos mais recentes. Ao comentar a paralisação da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e as dificuldades enfrentadas pelo audiovisual, afirmou que o enfraquecimento dos mecanismos de incentivo começou antes mesmo do governo Bolsonaro, embora tenha criticado o projeto que, segundo ele, buscava desmontar a produção cultural brasileira.
Com uma trajetória que atravessou décadas do cinema nacional, Luiz Carlos Barreto produziu alguns dos filmes mais importantes da história do país e ajudou a consolidar uma geração responsável por projetar a produção brasileira dentro e fora do Brasil. Na entrevista ao 'Conversa com Bial', deixou também um diagnóstico sobre os rumos da indústria que ajudou a construir.



