Igreja Presbiteriana recomenda que fiéis evitem movimento Legendários
IPB recomenda que fiéis evitem movimento Legendários

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou, durante o 41º Supremo Concílio realizado em Manaus na terça-feira (28), uma resolução que recomenda que seus fiéis — membros, diáconos, presbíteros e pastores — não participem nem apoiem o movimento humanitário Legendários, bem como outras organizações de características similares. A medida, que integra um documento mais amplo sobre doutrina e prática eclesiástica, foi recebida com serenidade pelo movimento, que em nota divulgada na quarta-feira (29) esclareceu tratar-se de uma recomendação, e não de uma proibição formal.

Decisão do Supremo Concílio

O Supremo Concílio, assembleia geral máxima da IPB, deliberou sobre uma consulta apresentada por integrantes da denominação no Tocantins, que solicitavam um posicionamento oficial diante da expansão dos Legendários em comunidades presbiterianas. Após análise, a comissão teológica da igreja concluiu que as práticas do movimento são incompatíveis com a tradição histórica e a doutrina reformada. O documento classifica as metodologias dos Legendários como “pragmáticas, neopentecostais e experienciais”, afirmando que contrariam os princípios das Escrituras Sagradas e a organização da igreja.

Resposta do movimento Legendários

Em nota oficial, os Legendários afirmaram que a decisão “não estabelece qualquer proibição” e que se trata de uma recomendação para que cada igreja local avalie, de forma autônoma, a orientação a seus membros. “O movimento humanitário recebe essa publicação com serenidade e respeito, confiante de que ela contribuirá para esclarecer o tema”, declarou a organização. O grupo reforçou seu compromisso com o fortalecimento de famílias, desenvolvimento de lideranças e impacto positivo nas comunidades. Presente em 24 países, o movimento reúne mais de 220 mil participantes.

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Metodologia questionada

O parecer aprovado pelo concílio critica severamente a metodologia empregada pelos Legendários. Entre os pontos destacados estão o uso de isolamento na natureza e testes de resistência física e emocional como meios de formação espiritual. A IPB condena essas dinâmicas de impacto psicológico, argumentando que elas reduzem o papel central da Bíblia e da rotina comunitária da denominação. Além da privação física, o documento aponta a mercantilização da fé, o sigilo em relação às atividades do grupo, o uso de juramentos, uniformes padronizados, discursos motivacionais e técnicas de marketing, que transformariam a vivência religiosa em uma “experiência de consumo” e provocariam divisões internas nas igrejas locais.

Origem e características dos Legendários

Criado na Guatemala em 2015, o Legendários chegou ao Brasil em 2017 e é um movimento voltado exclusivamente para homens, prometendo “restaurar o potencial masculino”. Atrai empresários, atletas e políticos para desafios de imersão, sendo a principal atividade um retiro de 72 horas em montanhas, com custo por participante em torno de R$ 1,5 mil. Durante o período, os homens passam por privação e testes físicos sem contato com o mundo exterior — exatamente o formato que levou à recomendação contrária da IPB.

O movimento humanitário Legendários informou que o documento oficial com a redação final da decisão será publicado ao longo da semana e que segue “comprometido com seu propósito de fortalecer famílias, desenvolver lideranças e promover ações que gerem impacto positivo nas comunidades, unidos pelos princípios da centralidade de Cristo”.

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