Em Rio Branco, no Acre, um grupo de amigos do bairro Vila Ivonete e regiões próximas mantém um compromisso que já dura mais de 30 anos: jogar dominó. O encontro, que acontece de domingo a domingo, reúne aposentados e profissionais ativos, como o professor Paulo Dantas, de 59 anos, e o aposentado Pedro José. Para eles, a partida vai além da competição — é um ritual de amizade e lazer.
Uma tradição que começou na família
Segundo Pedro José, a paixão pelo dominó vem de longa data. "Em 1976, quando meu pai chegou para morar aqui, a gente morava no seringal. Aí vinha e jogava ele e os vizinhos. Depois, em 1981, eu saí do seringal para cá e fiquei aqui. Meu pai morreu e eu fiquei aqui e continuei jogando dominózinho aí com os meus amigos", relembrou. O que começou como uma atividade familiar atravessou gerações e hoje é um encontro marcado.
Os encontros, que começaram com a família, ganharam novos participantes ao longo dos anos e se tornaram parte da rotina do grupo. A maioria dos integrantes já está aposentada, mas a disposição para manter a tradição permanece intacta.
Benefícios além do jogo
Para o professor Paulo Dantas, o dominó é uma forma de lazer que também ajuda a manter a mente ativa. "A gente já tem uma idade mediana, não somos velhos. A gente não é muito apegado às mídias de hoje, celular, e [o dominó] é um lazer nosso", defendeu. Ele acrescenta que a partida com os amigos é uma maneira de sair da rotina e aproveitar o tempo entre eles. "É uma coisa prazerosa e também traz benefício. Atualmente, a maioria já está na terceira idade, eu também praticamente, tenho 59 anos, e é uma brincadeira que dá prazer e nos ajuda a exercitar a mente, sair um pouco dessa rotina de trabalho, casa", contou.
Além de estimular o raciocínio, o dominó é responsável por garantir boas risadas. Durante as partidas, o grupo brinca, faz provocações e sofre com o temido "capote" — quando um jogador faz menos de 100 pontos. "Rapaz, a gente ri muito quando tem capote, quando a pessoa faz menos de 100 pontos. A gente chama de capote, e nenhum quer pegar capote. Então, quando o amigo pega, aí os demais ficam rindo", brincou Paulo.
O perdedor guarda a mesa
Como em toda tradição, há regras e punições. Quem perde a partida, além de ouvir as provocações dos amigos, precisa cumprir uma tarefa: guardar a mesa do dominó. Segundo Janil Guedes, outro integrante do grupo, o dominó é apenas o motivo para que o encontro aconteça todos os dias e para que a amizade, construída ao longo de três décadas, continue fortalecida. "É as três melhores da mesa, e esse traíra disse que eu sou o melhor guardador da mesa. E eu sou o melhor da Vila Ivonete. Queimado aqui sou eu", brincou.
O grupo demonstra que, mais do que vencer, o importante é manter viva uma amizade construída ao longo de décadas. O dominó, para eles, é o elo que une gerações e garante momentos de descontração e convívio social.



