A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia afirmou que o livro 'Romanceiro da Inconfidência', da escritora carioca Cecília Meireles (1901-1964), é a obra que mais a acompanha. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, 23, na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), da qual a ministra é uma das principais convidadas.
Obra sobre a Inconfidência Mineira em versos
“O livro que eu mais carrego, seguramente, é o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. [O livro] narra muito melhor as passagens dos conjurados e nos faz pensar muito mais sobre sentenças, sobre o papel dos juízes, do que muitas obras de história”, afirmou a ministra. A obra é considerada a grande criação de Cecília Meireles, uma das mais celebradas poetas brasileiras. Em versos, o livro conta parte da história de Minas Gerais, do processo de colonização até a Inconfidência Mineira em 1789.
Cármen Lúcia lembrou que foi duas vezes presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que tem “absoluta certeza” da “segurança, higidez e transparência” do processo eleitoral.
Relação entre arte, Direito e democracia
A ministra citou o livro durante uma resposta sobre a relação entre literatura e o Direito. Ela continuou: “É por isso que o ditador não gosta da arte. Não gosta da arte que não se submeta a ele. Ou seja, não é que não goste da arte; ele quer sujeitar a cultura. Eu não concordo com uma cultura subordinada”.
“Por isso esta ligação que tem da arte com o Direito e o nosso empenho para que a arte seja sempre garantida. Este é o espaço democrático que sinaliza se nós temos uma democracia verdadeira”, completou.
Clássicos da juventude e novo livro sobre voto
Além de citar Cecília Meireles, autora que ela acredita ainda ser subestimada no Brasil, a ministra afirmou que os clássicos que leu na juventude seguem sendo alguns dos livros que mais marcaram sua vida. Ela citou autores como Marcel Proust, Machado de Assis e Fiódor Dostoiévski.
Cármen Lúcia participa da 10ª mesa da programação oficial do evento, batizada de ‘Estado de sítio, estado de sido, estase’ (verso da homenageada Orides Fontela), que terá início às 13h30 de sexta, 24, com mediação de Paula Miraglia. A conversa será transmitida ao vivo no YouTube da Flip.
A participação faz parte da divulgação do novo livro da ministra, 'Pela Mão do Povo – Democracia e Voto no Brasil' (Bazar do Tempo), escrito em parceria com a historiadora Heloisa M. Starling e a pesquisadora Nayara Corrêa Henriques Pinto. A obra faz um panorama da história do voto no Brasil, desde o Império até as Diretas Já.



