Corpo Morada: mapeamento cultural da Leopoldina no Rio
Corpo Morada: mapeamento cultural da Leopoldina

O projeto 'Corpo Morada' é uma iniciativa de mapeamento cultural que investiga as memórias, os lugares e os moradores da Zona da Leopoldina, no Rio de Janeiro. Realizado em parceria entre o Observatório de Favelas e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o projeto busca registrar e valorizar o patrimônio cultural dessa região, que engloba bairros como Maré, Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Manguinhos, Brás de Pina, Cidade Alta, Kelson's/Marcílio Dias e partes de Ramos.

Recorte geográfico e cultural

A Zona da Leopoldina, cortada pela antiga Estrada de Ferro Leopoldina, é uma área de grande diversidade social e cultural, abrigando tanto conjuntos habitacionais populares quanto comunidades em áreas de morro. O recorte do projeto inclui oito localidades específicas, cada uma com suas próprias histórias e tradições. Maré e Complexo do Alemão, por exemplo, são conhecidos por sua forte identidade comunitária e expressões artísticas, como o funk e o grafite. Manguinhos, por sua vez, tem uma rica história de mobilização social e saúde pública. Brás de Pina é marcado pela urbanização pioneira da década de 1960, fruto de cooperativas habitacionais. A região de Ramos, com seu comércio vibrante, também entra no mapa.

Participação dos moradores

O diferencial do 'Corpo Morada' é o envolvimento ativo dos moradores no processo de mapeamento. Por meio de oficinas de formação sobre patrimônio cultural, os participantes aprendem técnicas de pesquisa, registro e narrativa, tornando-se protagonistas na documentação de suas próprias comunidades. O resultado é o e-book 'Corpo Morada', que reúne relatos, fotografias e memórias coletadas durante o projeto. A ideia é que o material sirva como fonte de consulta e inspiração para futuras gerações, além de fortalecer o sentimento de pertencimento e orgulho local.

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Dona Celeste Estrela: uma relíquia viva

Entre os destaques do mapeamento está Dona Celeste Estrela, moradora de Manguinhos que, segundo o projeto, publicou seu primeiro livro aos 79 anos. Ela é considerada uma 'relíquia' da região, não apenas pela idade, mas pela trajetória de vida e contribuição cultural. Sua história exemplifica como o projeto valoriza a sabedoria e a memória dos mais velhos, muitas vezes invisibilizados. Dona Celeste representa a resiliência e a criatividade que brotam nas periferias cariocas, transformando experiências em literatura.

Impacto e preservação do patrimônio

Ao documentar esses saberes, o 'Corpo Morada' contribui para a preservação do patrimônio cultural imaterial da Leopoldina. O projeto também chama atenção para a importância de políticas públicas que reconheçam e protejam a memória das comunidades, especialmente em áreas historicamente marginalizadas. A parceria com o Iphan garante respaldo institucional, ampliando o alcance das ações. Com a publicação do e-book, o projeto espera inspirar outras iniciativas semelhantes em diferentes regiões do Rio de Janeiro e do Brasil.

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