Em 2004, 'Cidade de Deus' fez história ao receber quatro indicações ao Oscar, um feito inédito para o cinema brasileiro na época. O filme concorreu nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição. A produção, dirigida por Fernando Meirelles em parceria com Kátia Lund, só conseguiu essas indicações após não ter sido selecionada na categoria de Melhor Filme Internacional no ano anterior.
Em 2003, o Brasil escolheu 'Cidade de Deus' como seu representante para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas a Academia de Hollywood não o incluiu entre os indicados. A decisão foi criticada internacionalmente, sendo considerada uma das maiores injustiças da premiação. Meirelles atribuiu a exclusão ao perfil dos votantes da categoria, majoritariamente mais velhos e aposentados, que não se identificaram com o filme.
Para ser elegível a outras categorias, o filme precisava ser exibido nos Estados Unidos no ano anterior à premiação. A distribuidora Miramax, liderada por Harvey Weinstein, investiu pesado na campanha de 'Cidade de Deus', garantindo sua visibilidade entre os membros da Academia. Meirelles descreveu Weinstein como uma figura influente, comparando-o a um mafioso, mas reconheceu que o investimento foi crucial para as indicações.
O feito de 'Cidade de Deus' só foi igualado em 2025, quando 'O agente secreto' também recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Filme Internacional, Ator e Seleção de Elenco. Além disso, Adolpho Veloso, diretor de fotografia de 'Sonhos de trem', garantiu mais uma indicação para o Brasil, tornando a edição de 2026 a mais brasileira da história.



