A casa de taipa onde viveu o poeta e cordelista Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, reabriu as portas ao público em julho de 2024. O imóvel está localizado na Serra de Santana, a 18 km do centro de Assaré, na região do Cariri cearense.
Restauração preserva estrutura original
A residência foi adquirida pela Universidade Patativa do Assaré e passou por uma restauração que durou cinco meses. O modelo de construção, típico do interior nordestino no início do século 20, utiliza barro e madeira, erguido pelos próprios moradores. O diretor cultural da universidade, Francisco Palácio Leite, afirmou que a estrutura original foi mantida. "Nós tivemos a preocupação de preservar. O telhado permanece o mesmo, o reboco com a mesma estrutura e cor. As calçadas também com o mesmo tijolo que existia anteriormente", explicou o diretor. Portas e pertences da época continuam integrando o cenário.
Infância e inspiração do poeta
Foi nessa casa que Patativa do Assaré teve o primeiro contato com a literatura de cordel, aos oito anos de idade. Ele morou no local até se casar. A sala de estar era um dos cômodos preferidos do poeta, onde costumava se apresentar ao lado de repentistas. Aos 87 anos, a filha de Patativa, Inês Cidrão Alencar, relembra com orgulho a rotina da família e o processo criativo do artista. "O meu pai foi a pessoa mais maravilhosa que eu conheci na minha vida, ele era um ótimo pai. A gente foi muito pobre, naquela época era trabalhando no roçado. A gente ajudou muito ele. A gente ia com ele, e ele dizia que a gente fosse na frente e ele ficava atrás. Ele tirava todo o tempo da roça trabalhando também nas poesias dele. Quando era à noite, depois da janta, ele chamava todo mundo pra sentar perto. E ia declamar o poema que tinha feito durante o trabalho. Assim, era todo dia. Ele tinha o dom para tudo", recorda Inês.
Legado de simplicidade e defesa do sertanejo
O neto do homenageado, também poeta Daniel Gonçalves da Silva, destaca que a trajetória do avô foi marcada pela simplicidade. "Ele era muito família. Uma das coisas que a gente aprendeu com ele foi a não negar nossas origens e defender nossas causas. Tratou nas suas poesias sobre o homem da roça, falou dos sem-terra, dos esquecidos, dos abandonados no Nordeste. Esses ensinamentos a gente pretende repassar para os demais", comenta Daniel.
Visitação e futuro museu
A visitação é aberta ao público de segunda a sábado, das 8h às 17h. O espaço também vai abrigar o Museu do Homem Sertanejo, que deve ser inaugurado em outubro de 2024, funcionando como um memorial para contar a história de Patativa do Assaré.



