Cantora Kátia, sucesso dos anos 80, faz show no Rio e celebra parceria com cão-guia
Cantora Kátia: show no Rio e parceria com cão-guia

Kátia, cantora que marcou os anos 80 com o sucesso 'Qualquer jeito' (conhecida como 'Não está sendo fácil'), apresenta o show 'Romântica e tal' nesta sexta-feira (24) no Teatro Rival Petrobras, na Cinelândia, Centro do Rio. A artista de 64 anos, que é deficiente visual e conta com o apoio do cão-guia Willy há quatro anos, celebra a carreira e a inclusão.

Show reúne hits e homenagens a Roberto Carlos

No repertório, Kátia promete canções românticas próprias e de artistas consagrados dos anos 80 e 90. 'Vou cantar as minhas canções românticas, e o "e tal" do nome do show se refere a músicas de artistas consagrados, dos anos 80 e 90. Eu procurei focar, além do meu repertório, em letras que as pessoas conhecem e que estão na boca do povo. Algumas delas do Roberto Carlos, claro, sempre! Não só porque é o meu padrinho, mas porque ele é exemplo para todo artista', conta Kátia ao EXTRA.

Vida no interior e influências musicais

Carioca, Kátia mora atualmente perto de Sorocaba, onde aprecia a tranquilidade do interior. Nas horas vagas, ouve playlists de música country, seu gênero favorito. 'Escuto muita música nacional, como Maiara & Maraisa, e cantores sertanejos de modo geral. Escutava muito Marília (Mendonça). Adorava as músicas dela. Me espelho muito nessas músicas country para compor. Dos novos cantores, ouço muito Ed Sheeran. As músicas dele são realmente muito bonitas', detalha.

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Análise da evolução musical

Kátia compara a era de ouro da música com o cenário atual: 'Vivi a melhor era da música no mundo. Hoje não temos mais Michael Jackson, Beatles, Elvis Presley e tantos outros. Atualmente, as coisas são muito meteóricas e passam muito rápido. É difícil você assistir à carreira de um ídolo que dure, como o Roberto Carlos.'

Deficiência visual e inclusão

Kátia nasceu deficiente visual devido a um parto prematuro. Ela enxergava luz até os 16 anos, mas depois perdeu a visão totalmente. 'Conforme o tempo vai passando, quando você não tem estímulo, o nervo vai atrofiando. Como o meu caso não era cirúrgico, aquela luz foi se perdendo com o tempo. Não tem cirurgia que me traga de volta a visão, mas hoje tenho muitas formas virtuais que eu uso, como óculos virtuais, inteligência artificial...', pontua.

Seu cão-guia Willy, que a acompanha há quatro anos, é fundamental. 'Ele é meu grande companheiro, um parceiro de vida, meus olhos. É parte de mim', afirma. Na última quinta-feira, Kátia compartilhou uma imagem dentro do avião com Willy a caminho do Rio para o show.

Evolução na inclusão de deficientes visuais

Segundo Kátia, houve avanços significativos desde os anos 80. 'Houve um esclarecimento e uma evolução muito grande na inclusão. A partir dos anos 90, eu participei de projetos em que tivemos computadores. Hoje, temos recursos maravilhosos que nos proporcionam total independência. Por parte das pessoas, também melhorou muito. Eu estudava em escola normal, nos anos 70, e era duro porque enfrentei muito preconceito. Mas eu devo muito à minha família que lutou junto comigo para que eu não fosse segregada. Era difícil', relembra.

Inspiração e legado

Roberto Carlos ouviu a voz de Kátia e lhe deu a oportunidade de cantar com ele. Desde então, ela se tornou inspiração para muitos. 'O meu trabalho abriu portas para muitos deficientes. Eu escutei muita gente dizer: "Olha, Kátia, graças a você, o meu trabalho pode ser escutado. Eu pude viver e sustentar minha família tocando num barzinho". Hoje, o deficiente visual músico já tem um espaço maior. Me orgulho muito disso. Eu continuo trabalhando pela inclusão. Estou sempre aprendendo, estudando, tentando descobrir ferramentas que possam abrir mais portas. Eu gostaria de poder fazer mais enquanto cidadã, deficiente visual e artista', conta, acrescentando que faz palestras motivacionais desde os anos 2000.

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Redes sociais e memes

Kátia vê as redes sociais como plataforma para divulgar a inclusão. 'Precisamos divulgar a inclusão. Gosto de contar para as pessoas a minha história, tanto as coisas boas e as ruins pelas quais passei', avalia. Sobre os memes que usam seu rosto ou trechos de suas músicas, ela não se incomoda: 'Encaro isso de uma forma tranquila. Tem pessoas que têm bom gosto, outras não têm. O que a gente vai fazer? Isso é o ser humano, né? Acho que a gente tem que tirar do ser humano o que ele tiver de bom e jogar fora o que há de ruim.'

Ela observa que os memes renovam seu público: 'Muita gente nova escuta a música nessas postagens e curte. Tem criança de 6 anos que canta "não está sendo fácil". É muito bacana! Nos meus shows, no país inteiro, a gente vê pessoas de 8 a 80. Muita gente jovem me escuta por causa dos pais.'