O filme Babaçu Love, dirigido por Cícero Filho, chega às telas como uma dramédia que mescla humor e crítica social. Ambientado no sertão do Piauí, a obra acompanha a história de Diloura (Amanda Odilon), uma jovem que sonha em ser cantora de sucesso, enquanto sua mãe, uma quebradeira de coco babaçu interpretada por Gisele Vasconcelos, enfrenta a exploração de um latifundiário local.
Uma comédia com tons sociais
Inicialmente, o longa parece uma comédia leve, com exageros nas entonações, trilha sonora e cores vibrantes. No entanto, o diretor afirma que queria mostrar o "Brasil profundo", com suas riquezas culturais e humanas muitas vezes invisíveis no cinema nacional. "Eu queria mostrar esse Brasil profundo, cheio de riqueza cultural, humana e natural que muitas vezes permanece invisível. A partir daí, construí uma história que mistura música, drama, humor e resistência, mas sem apelar ao estereótipo", explicou Cícero Filho.
A trama se passa em Ramadinha, um pequeno lugarejo, e aborda a luta das quebradeiras de coco babaçu, tema já explorado no documentário Quebradeiras, de Evaldo Mocarzel. Apesar do tom cômico, o filme não abandona a crítica social, mostrando a exploração das trabalhadoras e a formação de uma cooperativa como forma de resistência.
Personagens e jornada
Diloura, a protagonista, é uma figura destrambelhada que, aos poucos, conquista o espectador. Ela é cortejada por Araújo (Alisson Emanoel), um rapaz modesto, mas se apaixona por Ransquelson (Whindersson Nunes), um trambiqueiro que a convida para sua banda. Após ser chutada, Diloura vai para Teresina, onde enfrenta empregos nada glamourosos. A narrativa segue a "jornada do herói" no sertão, abordando amor materno, sonhos, ambição, fracasso e superação.
O crítico observa que, embora o filme seja cafona, excessivo e às vezes sem rumo, ele revela uma face oculta do Brasil, misturando cultura autêntica com modismos importados. Como lembra Paulo Emílio Salles Gomes, mesmo filmes brasileiros ruins podem ensinar muito sobre nossa condição de colonizados.



