A cantora Anitta utilizou biojóias criadas pela artesã e influenciadora amazonense Amanda Monteiro no figurino de seu novo álbum, “Equilibrivm II”, lançado na última quinta-feira (23). As peças aparecem na segunda parte do projeto audiovisual da cantora, reforçando a presença do artesanato e da moda feitos no Amazonas em uma produção de alcance global.
Convite inesperado durante o Festival de Parintins
Segundo Amanda, o convite surgiu de forma inesperada durante o Festival de Parintins deste ano. Enquanto participava de uma feira na ilha, recebeu uma mensagem da equipe de moda de Anitta, que já a seguia no perfil da loja. “Me enviaram mensagem perguntando se eu tinha algumas peças que estavam nas redes sociais. A equipe de moda já me seguia no perfil da loja e chegaram pedindo peças específicas e com prazo. Foi aí que começou a correria para fazer algumas peças saírem de Parintins, porque eu estava com estoque lá. Outras estavam em Manaus e consegui enviar tudo”, contou a artesã.
A surpresa rapidamente deu lugar à preocupação com a logística, um dos maiores desafios para quem produz no Amazonas. “Minha reação foi de muita surpresa. Fiquei muito chocada e demorei para processar o que estava acontecendo. Depois só conseguia pensar em dar conta e fazer tudo chegar a tempo. A gente sofre muito com logística aqui no Amazonas. Não tem como fazer uma peça chegar no mesmo dia, nem dentro do próprio estado. Foi uma correria muito gostosa.”
Peças que compõem o figurino
Entre os acessórios escolhidos está o 'Colar Ginga', confeccionado com franjas, miçangas e tassels – pequenos enfeites em forma de franja ou pingente que criam movimento durante o uso. Amanda explica que o Colar Ginga leva entre 50 minutos e uma hora para ser produzido e nasceu inspirado no Festival de Parintins. A proposta era criar uma peça que pudesse ser usada tanto durante a festa quanto no dia a dia. Influenciada pela estética boho, que mistura influências hippies e étnicas, e pelo artesanato, ela optou por substituir as tradicionais penas utilizadas em acessórios do festival pelo uso de tassels, criando uma identidade própria para a coleção.
Anitta também aparece usando os 'Brincos Encarnados', utilizados nos visuais de 'Feitiço', faixa do novo álbum que contou com a participação de Mart'nália. Lançado na última quinta-feira (23), “Equilibrivm II” dá continuidade ao projeto audiovisual de Anitta e aposta em uma estética marcada por simbolismos, figurinos elaborados e referências à moda artesanal.
A trajetória de Amanda Monteiro
A marca Estúdio Presepada foi criada por Amanda em 2026 para oficializar a produção das peças amazônicas, mas sua relação com o artesanato começou muito antes. Filha de uma artesã e professora, herdou da mãe parte das miçangas que utiliza em suas criações e passou a produzir as próprias peças para complementar a renda, vendendo acessórios em eventos e nas ruas. “É difícil criar os produtos, cuidar das redes sociais, fazer as fotos e ainda agregar valor ao trabalho quando fazemos tudo sozinhos. Eu imaginava que algo assim com a Anitta só aconteceria quando tivesse um site estruturado e uma coleção lançada, mas é fruto do trabalho e da qualidade das peças, que chamaram a atenção dos stylists dela”, afirmou.
Além de artesã, Amanda trabalha como influenciadora e publicitária. Ela chegou a atuar em uma agência em São Paulo, mas decidiu retornar ao Amazonas por sentir falta da conexão com a cultura e com a região onde nasceu. “Quando voltei, entendi tudo o que preciso para ser feliz. Sou apaixonada pela minha terra. É ela que me inspira, que me faz sentir viva. Apesar das dificuldades, é aqui que consigo ver futuro. Amo o Amazonas, amo Manaus, amo o Norte e é aqui que faço sentido.”
Impacto e reconhecimento
Para a artista, participar de um projeto de Anitta representa mais do que uma conquista pessoal. Ela espera que o reconhecimento ajude a valorizar a produção criativa da região. “É surreal. Daqui a 10 ou 20 anos vou poder mostrar esse trabalho e dizer que, de alguma forma, a minha arte contribuiu para uma obra tão grandiosa. Meu sonho é que o Amazonas seja cada vez mais reconhecido pela criatividade, pelas biojoias e pela arte que produz.”



