18ª Procissão das Sanfonas celebra centenário de Helena Gonzaga em Teresina
18ª Procissão das Sanfonas homenageia Helena Gonzaga em Teresina

A 18ª edição da Procissão das Sanfonas de Teresina ocorreu nesta segunda-feira (3), reunindo dezenas de sanfoneiros, músicos e admiradores dos ritmos nordestinos em uma caminhada que partiu da Catedral de Nossa Senhora das Dores, na Praça Saraiva, no Centro da capital, e seguiu até o Museu do Piauí, na Praça da Bandeira. O evento, declarado patrimônio cultural imaterial do Piauí em 2025, homenageou o centenário de Helena Gonzaga, a memória de Luiz Gonzaga e os 80 anos do cantor e compositor Alceu Valença.

Homenagens e celebração da cultura nordestina

Durante o percurso, os participantes animaram as ruas com sanfonas, triângulos, zabumbas e cantorias, em uma verdadeira festa da cultura nordestina. Entre os presentes, o grupo Vagão, formado pelos palhaços Beiju, Feijão, Ju e Melão, que integram uma banda voltada ao público infantil. O palhaço Beiju revelou que começou a tocar sanfona após receber um instrumento emprestado do idealizador da procissão, o professor Wilson Seraine. “É por culpa dele que eu toco sanfona. Comecei a tocar em 2017, até hoje não aprendi, só faço zuadinha mesmo”, brincou.

Outro participante assíduo, o artista Gilson Sanfoneiro, de Nazária, destacou que a procissão é um momento de reencontro entre amigos e admiradores do instrumento. “Gonzaga Lu faz o convite pedindo para a gente vim fortalecer, mas a gente que sai fortalecido desse encontro”, contou.

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Bênção das sanfonas e união dos músicos

A programação incluiu a tradicional bênção das sanfonas, conduzida pelo padre Antônio Cruz, que, usando um chapéu típico nordestino, abençoou sanfonas, triângulos, zabumbas e outros instrumentos. “É um momento de todo mundo se encontrar. Sozinho, isolado, ninguém é capaz. Olha só a quantidade de sanfoneiro, pessoas que amam nossa cultura. Precisamos nos unir mais e mais para dizer 'nós estamos aqui, isso não morreu'”, reforçou o padre.

O evento é promovido pela Colônia Gonzaguiana do Piauí, em parceria com a Fundação Cultural Monsenhor Chaves (FMC). Desde sua criação, em 2009, a procissão atrai cada vez mais participantes, consolidando-se como uma das principais manifestações culturais do estado.

Patrimônio imaterial e legado de Luiz Gonzaga

Este ano, as homenagens foram especiais: Helena Gonzaga, viúva de Luiz Gonzaga, que acompanha o evento desde o início, e Alceu Valença, que completou 80 anos em julho, foram celebrados. O idealizador Wilson Seraine explicou que o objetivo principal é atrair os jovens e manter vivo o legado do Rei do Baião. “O objetivo era que o legado chegasse até o jovem, nossa felicidade foi que além de chegar até eles [jovens], chegou também às mulheres e aos idosos, aqueles que tinham uma sanfona guardada, tiraram do fundo da cama e foram para a procissão. Várias mulheres aprenderam a tocar sanfona quando começaram a participar das procissões, atingimos as crianças também, que hoje são sanfoneiros profissionais, isso é o bacana”, afirmou.

A Procissão das Sanfonas de Teresina, que já é patrimônio imaterial do Piauí, segue encantando e unindo gerações em torno da música nordestina, reafirmando a importância de preservar e difundir essa rica tradição cultural.

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