O filme 'O Convite', que estreia em 9 de junho nos cinemas brasileiros, é uma adaptação do espanhol 'Sentimental' (2020). A trama gira em torno de Angela (Olivia Wilde, também diretora) e Joe (Seth Rogen), um casal em um relacionamento falido, que recebem para jantar seus vizinhos liberais Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), aparentemente muito bem resolvidos sexualmente.
Tensão e comédia à mesa
"Nós adoramos tensão", diz Hawk ao ser recebido, como uma piscadela aos espectadores. A partir daí, a tensão social e sexual se intensifica, misturada a piadas, chororô e diálogos frenéticos. Os atores estão muito bem escalados: Penélope e Edward se deleitam nos papéis excêntricos, enquanto Olivia e Seth interpretam uma neurótica e um deprimido sarcástico, lembrando as comédias de Woody Allen.
Roteiro e direção
O filme se passa essencialmente dentro de uma casa, sem muitos recursos temporais ou mudanças de cenário. O roteiro de Will McCormack e Rashida Jones carrega a trama com naturalidade. A direção de Wilde conduz bem as dinâmicas entre os personagens, que se atraem e repelem ao longo da noite. O espectador se vê inserido em um jantar intenso, que raramente perde o ritmo e mantém a curiosidade até o fim.
Trilha sonora e profundidade
A trilha de Dev Hynes (Blood Orange), composta principalmente por cordas de violoncelo, dá tons de suspense até às falas mais comuns. 'O Convite' dosa bem a palhaçada e evita ser caricato, exceto por algumas cenas no final. Contudo, não é tão forte quando tenta ser mais profundo: o roteiro aborda relacionamentos, casamento e culpa, mas é difícil se conectar com os personagens, já que a graça é eles serem meio chatos (especialmente o personagem de Seth Rogen).
Previsibilidade e identificação
Da metade para o fim, o longa toma caminhos previsíveis e é menos ousado do que promete. Ainda assim, há pontos de identificação para o público. 'O Convite' é uma comédia que acerta no ponto: divertida, caótica e um pouco embriagante, como um bom jantar deve ser.



