O guarda-vidas Flávio Henrique Pinto dos Santos, de 43 anos, subtenente do Grupo de Bombeiros Marítimos (GBMar), se prepara para correr 195 quilômetros em 24 horas em uma esteira manual, com o objetivo de entrar para o Guinness Book. O evento está programado para esta sexta-feira (26), a partir das 20h, em Praia Grande, litoral de São Paulo. Além do desafio esportivo, a ação busca arrecadar alimentos para doação.
Superação de recorde anterior
Flávio pretende superar o recorde de 188 quilômetros do multiatleta brasileiro Pepe Fiamoncini, conquistado em fevereiro de 2026, quando completou o desafio em uma academia no Posto 10 da Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Esta não é a primeira vez que Flávio corre por 24 horas. Em agosto de 2025, ele correu pelas ruas de Praia Grande, alcançando 169 quilômetros. Na ocasião, o desafio também foi solidário e arrecadou mais de uma tonelada de alimentos.
Formato solidário e participação do público
“A ideia é atingir esse objetivo e ajudar o próximo”, reforçou o guarda-vidas ao g1. No ano passado, a corrida foi realizada em um percurso aberto, com paradas a cada 10 quilômetros para que as pessoas pudessem se juntar. “Ficamos correndo de 10 em 10 quilômetros para dar para as pessoas encostarem e correrem com a gente. Arrecadamos mais de uma tonelada de alimentos”, relembrou. Neste ano, o formato será diferente: a prova acontecerá em um único local e contará com quatro esteiras, sendo uma utilizada por Flávio e outras três disponíveis para quem quiser participar da ação.
Treino e adaptação à esteira manual
Nas últimas semanas, a preparação foi voltada principalmente para a adaptação à esteira manual, equipamento que funciona apenas com a força aplicada pelo corredor. “Você não liga na tomada e ela gira. Você faz a força na esteira e ela gira”, explicou Flávio. Segundo ele, o maior desafio do treinamento foi se adaptar ao equipamento e manter um ritmo constante durante longos períodos. “O treino mais difícil é correr nessa esteira, porque ela é um pouco difícil. Manter a quilometragem que você quer por hora é complicado”, afirmou.
Por conta da proximidade do evento, o maior período de simulação realizado por Flávio foi de cinco horas seguidas. “Eu não teria recuperação muscular adequada se aumentasse muito esse tempo antes da prova”, disse.
Desafios: sono e monotonia
Apesar da exigência física, Flávio acredita que os maiores obstáculos durante as 24 horas serão o sono e a monotonia. “O sono bate firme. Chega uma hora que ele vem legal. E também tem a monotonia de estar correndo parado. Da outra vez a gente correu na rua, via pessoas, lugares diferentes e pisos diferentes. Agora vai ser o mesmo lugar o tempo todo”, contou. Para enfrentar a longa jornada, ele utiliza uma estratégia mental simples: dividir a prova em pequenas metas. “Penso que vou correr uma hora. Quando bato uma hora, zero e começo outra. Assim vou indo.”
Incentivo à prática de atividades físicas
Por fim, Flávio acrescentou que, além da tentativa de quebrar o recorde mundial, a corrida também tem como objetivo incentivar a prática de atividades físicas e mostrar o impacto que ações coletivas podem gerar. “O que motiva a gente é motivar a galera. Mostrar que, se eu estou correndo 24 horas, eles também podem correr uma hora, meia hora, começar do zero. O mais importante é mostrar que, quando pessoas do bem se unem, conseguem alcançar coisas muito maiores”, concluiu.



