O filme 'Dreams of violets', dos irmãos Ash e Pooya Koosha, marca um marco histórico no cinema: é o primeiro longa-metragem totalmente produzido por inteligência artificial a ser exibido em um grande festival. A obra retrata a repressão a protestos em Teerã, mas todas as imagens foram criadas digitalmente a partir de um apartamento em Londres, sem a necessidade de atores, cenários físicos ou câmeras.
Inovação tecnológica e narrativa
O uso da inteligência artificial permitiu que os cineastas recriassem cenas de violência urbana com um realismo impressionante, sem expor ninguém a riscos. O filme utiliza algoritmos de geração de imagem para construir cada quadro, baseando-se em descrições textuais e referências visuais. A produção levou cerca de 18 meses, com a equipe refinando os prompts e ajustando os resultados para alcançar a estética desejada.
Contexto político e artístico
'Dreams of violets' aborda os protestos que sacudiram o Irã em 2022, após a morte de Mahsa Amini. O filme não apenas documenta os eventos, mas também explora o impacto emocional e psicológico da repressão. Os irmãos Koosha, que vivem no exílio, viram na IA uma forma de dar voz às vítimas sem colocar colaboradores em perigo.
A exibição no festival representa um passo importante para a aceitação da inteligência artificial no cinema autoral. Críticos destacam que, embora a tecnologia ainda enfrente desafios éticos e estéticos, ela abre possibilidades para narrativas que seriam inviáveis ou perigosas de serem filmadas tradicionalmente.
O longa já gerou debates sobre o futuro da produção cinematográfica, com alguns cineastas questionando o papel da criatividade humana. No entanto, os irmãos Koosha defendem que a IA é uma ferramenta, e não um substituto, para a visão artística.



