O mais recente longa-metragem do diretor francês Cédric Klapisch, conhecido pela trilogia 'Albergue espanhol', chega às telas cariocas com uma proposta ambiciosa: percorrer mais de um século de história entrelaçando gerações de uma mesma família. 'As cores do tempo' leva o espectador a uma viagem que transita entre o fim do século XIX e o ano de 2025, em uma narrativa repleta de mistério, romance e cartas perdidas.
Uma jornada através das épocas
De acordo com a sinopse oficial, o filme 'vai e volta entre o fim do século XIX e 2025, distribuindo mistérios, romances, cartas escondidas e revelações sobre parentes de gerações passadas e pintores famosos'. A estrutura não linear remete ao estilo característico de Klapisch, que em obras anteriores já explorou múltiplas perspectivas temporais e entrelaçamento de destinos. Desta vez, o diretor mergulha em uma saga familiar que se desdobra como um quebra-cabeça, onde cada época revela pistas sobre o presente.
O salto temporal é o fio condutor da trama: objetos, diários e pinturas servem como pontes entre os personagens do passado e do futuro. A escolha de 2025 como ponto de chegada insere a narrativa em um futuro próximo, o que permite ao cineasta especular sobre o impacto das escolhas do século XIX no mundo contemporâneo.
Saga familiar e segredos do passado
No centro da história está uma família francesa cujos segredos vêm à tona por meio de correspondências escondidas. As cartas, escritas em diferentes épocas, revelam amores proibidos, traições e alianças inesperadas. O mistério se intensifica quando o espectador descobre que alguns desses registros mencionam pintores famosos, insinuando que os antepassados dos protagonistas tiveram contato com grandes nomes da arte europeia. Klapisch utiliza a pintura não apenas como referência histórica, mas também como metáfora visual: as cores do tempo se misturam na paleta do filme, dando a cada década uma identidade estética própria.
O elenco, predominantemente francês, dá vida a personagens que atravessam décadas sem envelhecer — ou que reaparecem sob novas identidades. Apesar de não haver nomes divulgados oficialmente até o momento, a imprensa especula que atores conhecidos do cinema francês participam da produção. O longa é descrito como uma obra ambiciosa, que exigiu reconstituições de época detalhadas e um cuidadoso trabalho de fotografia para diferenciar os períodos.
O estilo de Cédric Klapisch
Klapisch é reconhecido por sua abordagem intimista e ao mesmo tempo dinâmica, combinando comédia dramática com reflexões sobre identidade e pertencimento. Em 'As cores do tempo', ele parece expandir seu leque temático, abraçando o gênero de mistério histórico. A crítica tem destacado a habilidade do diretor em equilibrar múltiplas linhas temporais sem perder o fio narrativo, algo que já havia demonstrado em 'Albergue espanhol' e 'Bom apetite, baby'.
O filme também traz uma reflexão sobre a arte como testemunha do tempo. Os pintores famosos mencionados na sinopse — cujas identidades são mantidas em segredo — funcionam como âncoras históricas, conectando os personagens do século XIX com o universo artístico que ainda ecoa no presente. Essa camada metalinguística é uma das marcas registradas do cineasta, que frequentemente inclui personagens artistas ou intelectuais em suas obras.
Em cartaz no Rio de Janeiro
'As cores do tempo' está em exibição no circuito carioca, com sessões em salas selecionadas. O filme recebeu a classificação 'Bonequinho olha' do jornal O Globo, indicando que é uma produção digna de atenção do público. Para os fãs de Klapisch e de narrativas que brincam com o tempo, a obra promete ser uma experiência envolvente, que combina drama familiar, suspense e uma bela homenagem à arte. A recomendação é para quem aprecia cinema que desafia a cronologia e convida o espectador a montar o quebra-cabeça da história junto com os personagens.



