Uma das vozes mais populares de Mato Grosso do Sul, André Stábile desembarcou no cinema com uma missão dupla: protagonizar um longa-metragem e representar a música regional nas telas. A estreia como ator aconteceu no Bonito CineSur, Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito, dentro da Mostra Competitiva de Filmes Sul-Mato-Grossenses. O festival, que tomou conta da cidade com arte, se encerra neste fim de semana.
Primeira atuação em longa-metragem
Em Filhos do Litoral Central, André interpreta Dourado, um músico em declínio que, após sofrer uma overdose, recebe a missão de conduzir uma banda de jovens até Corumbá. A trama percorre as estradas de Mato Grosso do Sul em uma narrativa marcada por encontros, memória e esperança, com a música como pano de fundo. Apesar de nunca ter atuado em um longa-metragem, o cantor encarou o desafio com uma entrega que chamou a atenção da equipe.
“Foi um frio na barriga diferente a cada dia”, revelou o artista, ao relembrar os dias de gravação. O nervosismo, porém, foi acolhido pelo ambiente de trabalho. Segundo André, o diretor Pedro Melo conduziu o elenco — que também contou com atores não profissionais — de forma leve e segura. “O diretor deixou a gente muito à vontade. Eu até brinquei que ele era como um técnico de uma seleção, conduzindo o time da melhor forma possível”, afirmou.
Família no set e desejo de continuar
O clima nos bastidores foi de colaboração e incentivo. André destacou o apoio dos colegas de elenco, inclusive de atores experientes, na construção do personagem. “O filme acabou se tornando uma família. Fui muito incentivado desde o começo a assumir o papel do Dourado. Foi uma experiência muito gratificante.”
A estreia nas telas também abriu um novo horizonte para o músico, que tem 23 anos de palco. “Sempre brinquei que, no palco, a gente também incorpora um personagem. Mas no cinema é diferente. Você precisa viver outra pessoa de maneira real. Não é só colocar algo para fora, é colocar para dentro. Isso foi muito especial e me deu muita vontade de continuar”, contou.
Homenagem à música sul-mato-grossense
Diretor e roteirista de Filhos do Litoral Central, Pedro Melo revelou que o personagem Dourado foi inspirado em diferentes nomes da música regional. “A gente queria fazer um filme que celebrasse a música sul-mato-grossense. Encontramos uma figura que representa várias pessoas da nossa música, uma mistura de artistas como o próprio André e também Geraldo Roca, entre outros nomes importantes”, explicou.
O projeto começou a ser desenvolvido em 2022 e foi filmado em 2025. Durante 13 dias de gravações, a equipe percorreu Campo Grande e diferentes cidades do estado até chegar a Corumbá. Ao lado do roteirista Ricardo Martino, o diretor optou pelo formato de road movie por considerá-lo o mais adequado para essa história. “Desde as primeiras conversas, eu e o Ricardo entendemos que o road movie era a forma mais interessante de contar essa história. O filme também traz o debate sobre religião, que aparece como um ambiente importante da narrativa, enquanto acompanha essa jornada pela música sul-mato-grossense”, afirmou.
Obra em movimento
Para Pedro Melo, a viagem é essencial para revelar as paisagens e a diversidade cultural de Mato Grosso do Sul. “É literalmente uma obra em movimento. É uma desculpa perfeita para mostrar os cantinhos do nosso Estado e promover encontros com pessoas e histórias diferentes”, comentou.
André Stábile também comemorou a estreia do filme na quarta edição do Bonito CineSur. Para o cantor, o reconhecimento é resultado do cuidado dedicado ao projeto desde a concepção. A produção celebra a passagem pelo festival e, ao mesmo tempo, projeta os próximos passos da obra.
Próximos passos
Depois de estrear no Bonito CineSur, o longa seguirá o circuito de festivais antes de chegar ao circuito comercial. A expectativa da produção é lançar Filhos do Litoral Central nos cinemas brasileiros no primeiro semestre de 2027.



