Rapper Predella é alvo de processos por feats não entregues
Predella é alvo de processos por feats não entregues

O rapper Predella, um dos líderes do grupo Costa Gold, está sendo alvo de diversos processos judiciais movidos por pessoas que pagaram por participações especiais em músicas, os chamados feats, e nunca receberam o trabalho prometido. Entre 2023 e 2026, várias pessoas adquiriram pacotes de colaboração musical com o artista, desembolsando valores que variam de R$ 1,5 mil a R$ 5 mil, mas não tiveram retorno nem reembolso.

Pagamentos confirmados e promessas não cumpridas

Em conversa com o g1, Predella confirmou que recebeu os pagamentos e que não realizou as colaborações. Ele alega que enfrenta problemas pessoais e financeiros, e que está buscando uma solução para a questão. O artista, que ganhou destaque na cena do rap nos anos 2010, é conhecido por sucessos com o Costa Gold, grupo que lançou cinco álbuns de estúdio e marcou uma geração com letras sobre carros, mulheres e dinheiro.

Em setembro de 2023, o grupo anunciou uma pausa por tempo indeterminado. Recentemente, Predella tem vendido itens pessoais relacionados à sua trajetória no grupo, alegando dificuldades financeiras.

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Oportunidade vira dor de cabeça

Carlos Otávio Guilhon viu, em dezembro de 2023, um anúncio nos stories do Instagram do rapper oferecendo feats. Pela DM da rede social, ele acordou o pagamento de R$ 4.500 por uma música em parceria. O depósito foi feito via PIX no dia 11 de dezembro daquele ano. A sequência combinada era: o interessado enviaria a música, Predella acrescentaria sua parte e devolveria o material. Isso nunca aconteceu.

"Por mais de 18 meses, o Otávio tentou contato de todas as formas com o artista, que sempre dava uma desculpa diferente. Ele é fã de rap e o Predella é um cantor reconhecido, com renome. Ter uma parceria musical com ele é algo de prestígio", explicou ao g1 o advogado da possível vítima, Leonardo Andreazza Anjos.

Carlos entrou com processo na Justiça do Paraná por danos morais, pedindo o ressarcimento do valor pago com juros e correção monetária, além de uma indenização de R$ 6 mil.

Sempre um novo prazo

Outro caso é o de Roberto Zens, que em janeiro de 2025 viu a oportunidade de parceria também via Instagram, fez o pagamento e não recebeu a faixa. No primeiro contato, o rapper enviou um roteiro do processo, incluindo divulgação nas redes sociais: realizar o pagamento, enviar o comprovante, receber o contato via WhatsApp, enviar a música e receber a gravação em até 15 dias.

Depois do pagamento, Roberto passou a falar com o rapper pelo WhatsApp. Na primeira semana de atraso, recebeu a resposta de que o cantor estava reescrevendo um trecho da canção. Roberto disse que um dos fatores que chamou sua atenção foi a chance de fazer um trabalho raro, já que Predella afirmou que abriria "vaga" para apenas duas colaborações no primeiro semestre de 2025. No entanto, a repetição de postagens com oportunidades de colaboração levantou suspeitas.

"Pelo menos uma vez por mês ele postava que havia vaga para feat. Não era nada raro ou exclusivo. Depois, fiquei sabendo de muitas pessoas com o mesmo problema que o meu. Se eram dois por semestre, como encontramos tanta gente nessa situação?", contou. "Comigo foram mais de 50 desculpas diferentes, sempre tinha um prazo novo. Fiz o pagamento em janeiro de 2025. Estamos em agosto de 2026 e não tenho nem resposta. Depois que falei que acionaria os advogados, em junho, ele deixou de me responder", explicou.

Boletim de ocorrência registrado

Victor Augusto de Paula conta que, em setembro de 2025, pagou R$ 1.500 ao artista pela participação em uma música. Desde então, recebe como resposta que o trabalho será concluído "em breve", mas sem retorno claro. "Tenho toda a negociação documentada, incluindo conversas, comprovante de pagamento e outros registros. Diante da situação, inclusive, registrei um boletim de ocorrência", explicou. Victor também encontrou outras pessoas reclamando do mesmo problema em comentários nas redes sociais.

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Por que pagar por um feat?

Todos os envolvidos disseram ao g1 que só realizaram o pagamento porque confiaram na credibilidade de Predella e entenderam que a prática de comprar a participação de um artista reconhecido em uma música era normal. No universo do rap e funk, a dinâmica de pagamento para parceria musical se tornou comum nos últimos anos, mesmo sendo vista com desconfiança. A ideia original das colaborações é uma união entre cantores por identificação artística, mas o pagamento torna a relação meramente comercial.

Ter um feat com um artista renomado é importante para quem deseja ter destaque nas plataformas digitais, inflando o número de ouvintes mensais no Spotify, por exemplo, o que pode resultar em contratação para shows ou outros benefícios.

O que diz Predella

Em áudio enviado ao g1, o artista explicou que está "de prontidão pra resolver" os casos e que disponibilizou opções de contato pelas redes sociais. "Eu tenho 20 anos de carreira, nunca tive problema com esse tipo de coisa. De uns tempos pra cá, passei por situações delicadas, difíceis, financeiras, de familiar doente. Fiquei praticamente 60 dias sem poder trabalhar. Por isso que encavalou uma série de entregas."

Predella também voltou a reforçar que vai sugerir um novo prazo para entrega das parcerias musicais. "Eu vou dar um prazo, não vai ser um prazo exorbitante, um prazo longo. Vai ser um prazo curto para resolução."