Lendas do Sertão paraibano ganham versão em animação
Lendas do Sertão paraibano viram animação

Animação paraibana resgata lendas do Sertão

A animação paraibana "Caçadores da Botija" aposta no resgate da cultura popular nordestina ao transformar lendas tradicionais do Sertão em narrativas voltadas para o audiovisual. Desenvolvido em um estúdio de João Pessoa, o projeto busca preservar histórias transmitidas entre gerações, utilizando a animação como ferramenta para aproximar o público de personagens e crenças presentes no imaginário do interior da Paraíba.

Inspiração nas histórias da infância

De acordo com o criador e diretor da produção, Dennis Sabino, a inspiração surgiu a partir das histórias ouvidas na infância, especialmente as contadas por sua avó em Itaporanga, no Sertão paraibano. “O Caçadores da Botija pega muito essa essência do sertão, do interior, daquele terror que você sentia quando alguém contava uma história do Velho do Saco, do Pesadelo, da Comadre Fulozinha ou da Rasga Mortalha”, afirmou. O diretor explicou que a ideia nasceu da vontade de representar a cidade onde cresceu e de preservar um patrimônio cultural transmitido oralmente. “Lembrei das histórias da minha avó sobre a botija, sobre os tesouros escondidos. Isso foi moldando o projeto na minha cabeça. Era como se ele já existisse, porque, na verdade, já existia dentro das pessoas", explicou.

Equipe de 70 profissionais

A produção é desenvolvida por uma equipe formada por aproximadamente 70 profissionais, entre animadores, ilustradores, artistas de voz, diretores de arte e outros especialistas responsáveis pelas diferentes etapas da criação.

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Lendas populares inspiram cada episódio

A roteirista Ana Paula Aguiar explica que a lenda da botija, muito conhecida no Nordeste, serve como eixo principal da narrativa. Em cada episódio, porém, outras histórias populares também são incorporadas ao universo da animação. Entre elas estão personagens como o Velho do Saco, o Pesadelo, a Comadre Fulozinha e a Rasga Mortalha. Segundo a roteirista, muitas dessas histórias fazem parte da memória afetiva da equipe. “No interior da Paraíba se conta que, para vencer o Pesadelo, você precisa tirar o chapéu dele. Essa foi uma história que minha avó me contou e, quando compartilhei aqui no estúdio, todos disseram que ela precisava estar na série", relatou Ana Paula.

Cenários fiéis ao interior nordestino

Além das lendas, a equipe buscou reproduzir elementos característicos das cidades do interior do Nordeste. O trabalho envolveu pesquisas para definir cenários, arquitetura, vegetação e demais aspectos visuais presentes ao longo da história. O diretor de arte Hitalo Duarte afirma que o objetivo foi construir um ambiente que refletisse a identidade regional. “Pesquisamos como seriam os ambientes, as casas e a vegetação. Como a história se passa no Nordeste, queremos trazer essas características das cidades do interior", disse Hitalo.

Valorização da tradição oral

Para os criadores, um dos principais temas da animação é a importância de preservar a tradição oral e reconhecer o papel das pessoas mais velhas na transmissão da cultura popular. Segundo Ana Paula Aguiar, muitas das histórias presentes na produção chegaram até a equipe por meio dos avós. “A gente fala muito da importância de ouvir os mais velhos. Foi minha avó que me contou a história do Pesadelo, foi a avó de Denis que contou a história da botija. A gente valoriza muito essa voz dos mais velhos dentro do universo de Caçadores", comentou.

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